A final, que o Senegal acabou por vencer por 1-0 e assim conquistar o segundo título da CAN, foi interrompida durante mais de 15 minutos, quando os Leões de Teranga tentaram abandonar o relvado em protesto contra decisões de arbitragem.
Durante o impasse, adeptos do Senegal invadiram o relvado, levando à detenção de vários deles pelas autoridades marroquinas. No total, 18 adeptos foram posteriormente condenados e multados, de acordo com a responsabilidade atribuída pelas autoridades judiciais.
A duração das penas de prisão decretadas pelos tribunais marroquinos variou entre três meses e um ano.
Nove adeptos foram condenados a um ano de prisão e obrigados a pagar uma multa de 5.000 dirhams, cerca de 462 euros, enquanto outros seis receberam penas de seis meses de prisão e uma multa de 2.000 dirhams, equivalente a 184 euros.
Os três restantes foram condenados a três meses de prisão e terão de pagar 1.200 dirhams, o que corresponde a 110 euros.
Pela primeira vez desde a decisão do tribunal marroquino, Koulibaly, que capitaneou o Senegal em Marrocos, emitiu um forte comunicado a condenar a decisão e prometeu fazer tudo ao seu alcance para garantir a libertação dos adeptos.
“Não caminham sozinhos. Atrás de vós está toda uma nação. E ao vosso lado estão os vossos jogadores, os vossos irmãos, unidos na dignidade e na paciência,” afirmou Koulibaly.
“A nossa única luta, a nossa única esperança, é ver-vos livres e reunidos com as vossas famílias. Sejam fortes! Continuamos empenhados em apoiar as vossas famílias com coração e responsabilidade. E estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir a vossa liberdade amanhã. Libertem os nossos adeptos!”
Koulibaly acrescentou: “Desde o início estivemos atentos à vossa situação. Se mantivemos o silêncio público, não foi por distância nem por indiferença, muito pelo contrário. Optámos pela responsabilidade. Sentimos que, perante os processos judiciais em curso, era fundamental permitir ao Estado do Senegal, às nossas autoridades e aos órgãos competentes conduzirem os trâmites legais necessários, sem que as nossas declarações ou ações pudessem, ainda que involuntariamente, interferir de forma negativa. Não quisemos politizar a vossa situação. Não quisemos dar ainda mais visibilidade a um assunto já sensível. E, acima de tudo, não quisemos roubar o protagonismo numa luta que tinha apenas um objetivo comum: a vossa libertação. Compreendemos claramente o nosso papel: agir com discrição, trocar informações de forma reservada, apoiar os esforços, manter a união, confiar nos canais diplomáticos e legais.”

Numa entrevista recente, o primeiro-ministro do Senegal lamentou a sentença de prisão aplicada aos adeptos.
“Parece que esta questão ultrapassa o âmbito do desporto, e isso é lamentável”. afirmou o primeiro-ministro senegalês Ousmane Sonko no parlamento: “Para dois países que se consideram amigos, como Marrocos e Senegal, as coisas não deviam ter chegado a este ponto.”
Segundo Koulibaly, a situação dos adeptos deve ser considerada dura e profundamente injusta.
“Estavam em missão de apoio à vossa equipa, ao vosso país, convictos da sua força e potencial. A forma como a final em Rabat decorreu colocou-vos numa situação que consideramos dura e profundamente injusta”, acrescentou o defesa, que representa o Al Hilal, da Liga Profissional Saudita: “Mas nos nossos corações, continuam vencedores. Este troféu continental também tem a vossa marca. É prova da vossa paixão, da vossa lealdade e do vosso patriotismo. Hoje, continuamos a agir com responsabilidade, com respeito pelas instituições, com confiança na diplomacia e com a esperança de que a sabedoria e o espírito de elevação conduzam a uma solução rápida e favorável.”
Algumas semanas após a final, o selecionador do Senegal, Pape Thiaw, foi suspenso por cinco jogos e multado em 100.000 dólares.

