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Após a adrenalina da vitória frente ao Lyon (3-2) no domingo no Olympico, os marselheses não tiveram tempo para acalmar. E talvez seja melhor assim. Porque, se a Ligue 1 se assemelha esta época a um mar revolto onde o Marselha, atualmente 4.º, tem dificuldade em manter o rumo para o pódio, a Taça de França oferece um horizonte desimpedido.
Perante a imprensa, Habib Beye mostrou uma determinação inabalável. Não está em causa sacrificar o campeonato pela taça, nem o contrário. Para ele, a exigência marselhesa obriga a lutar em todas as frentes. "Vamos disputar as duas competições ao máximo. Recuso-me a escolher entre a Taça e o campeonato", afirmou o técnico olímpico: "Quando se veste este emblema, não se pode fazer contas. A dinâmica alimenta-se com vitórias, seja qual for o relvado."
Esta ambição é uma resposta direta aos que receiam ver o plantel esgotar-se. Beye olha mais longe: para ele, um triunfo na Taça pode ser a faísca que incendeia o final de época na Liga 1. "A sorte não é acaso, provoca-se com atitude", acrescentou, recordando que o seu grupo tem "o orgulho de reagir" após as dúvidas do inverno.
O síndrome de 1989 e a avenida parisiense
Por que é preciso sonhar em grande? Antes de mais, porque o destino abriu caminho. A eliminação precoce do Paris Saint-Germain quebrou o tecto de vidro que tantas vezes impediu os Focenses de chegar ao troféu. O quadro está aberto e o Marselha surge agora como favorito natural. "A ausência do PSG não oferece uma oportunidade superior", desvalorizou Beye: "Hoje, ainda há equipas muito fortes em competição. Não vejo o nosso percurso em função do que o PSG viveu nesta competição."
Mas a história pesa. 1989: já lá vão 37 anos desde que um capitão olímpico ergueu a Taça de França. "Não conquistamos este troféu há muito tempo", lembra Beye, que disputou duas finais da Taça de França pelo Marselha como jogador em 2006 e 2007, mas perdeu ambas: "É um objetivo maior. Queremos criar essa emulação no desafio."
Para um clube que vive da sua lenda, este vazio é uma anomalia a corrigir. Com dificuldades de regularidade no campeonato, o Marselha precisa de um troféu para validar o novo ciclo. O desafio contra o Toulouse será evitar cair na armadilha do excesso de confiança. O TFC continua a ser especialista na prova, tendo vencido em 2023, e o Marselha terá de jogar sem Pierre-Emile Højbjerg, o seu pilar do meio-campo. Mas Beye mantém-se tranquilo: "Levámos os jogadores ao limite esta semana. Trabalharam bem. Quero ver uma equipa conquistadora, capaz de respirar esta cidade e sentir a sua exigência."
Vélodrome como combustível
Se o Marselha pode sonhar tão alto, é também porque regressa ao seu jardim no momento mais crítico da época. Jogar no Vélodrome na Taça de França é historicamente sinónimo de sucesso: ao longo da sua história na competição, o Marselha apresenta uma taxa de vitórias impressionante de quase 75% em casa.
Numa casa que deverá rondar os 65.000 adeptos amanhã à noite, a pressão popular transforma-se numa arma de destruição massiva. Para Habib Beye, esta paixão não é um peso, mas sim um motor: "Precisamos desta energia, deste ruído. O Vélodrome tem de ser o juiz de paz desta qualificação." Frente a um Toulouse que terá de enfrentar o inferno da avenida Michelet, o Marselha tem tudo para transformar as dificuldades no campeonato numa epopeia histórica rumo ao Stade de France.
