Taça do Rei: Gonçalo Guedes marca na reviravolta da Real Sociedad em casa do Alavés (1-3)

Gonçalo Guedes perante Toni Martínez
Gonçalo Guedes perante Toni MartínezRicardo Larreina / Shutterstock Editorial / Profimedia

Da sentença à reviravolta: um penálti falhado por Toni Martínez deu início à investida dos visitantes, que acabaram por carimbar o bilhete para as meias-finais para a equipa de Matarazzo.

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Os quartos de final da Taça do Rei proporcionaram um dérbi basco repleto de emoção e esperança. O Alavés, ainda com a memória de 2017 bem presente; a Real Sociedad, com o penálti convertido por Oyarzabal frente ao Athletic Bilbao, em 2021, ainda bem vivo na retina.

Mendizorroza foi o palco do duelo entre El Glorioso e os txuri-urdin. Coudet, a um passo de fazer história como babazorro, e Matarazzo, prestes a deixar marca em San Sebastián logo após chegar ao clube donostiarra.

Mañas voltou a integrar o onze inicial. Matarazzo apostou em Aihen Muñoz atrás de Sergio Gómez.

Jonny acendeu o rastilho

Como era de esperar por jogar em casa, o Alavés entrou destemido desde o primeiro minuto. Tentou surpreender uma Real Sociedad que, desde o início, mostrou-se muito atenta.

Na verdade, foi Gonçalo Guedes o primeiro a tentar ferir. O português, cheio de confiança, armou um remate típico à entrada da área, mas a bola saiu para o lado da rede.

No entanto, o plano dos vitorianos não mudou nem um milímetro. Mastigaram a posse de bola e encontraram o ponto fraco da defesa visitante. Um excelente desmarque de Calebe esticou e baralhou a linha defensiva, permitindo a Jonny Otto ver na perfeição o movimento de Denis Suárez. Sem Aihen por perto, o '4' babazorro teve todo o tempo do mundo para pensar, entregou a Mañas à entrada da área e este serviu Rebbach de forma exemplar. O argelino, sem grande oposição, bateu Remiro e inaugurou o marcador.

Os comandados de Matarazzo, apesar do golo sofrido, mantiveram-se muito concentrados no jogo, talvez porque Toni Martínez, ex-FC Porto, não conseguiu finalizar a jogada cinco minutos depois do golo.

Oyarzabal esteve perto de chegar a um cruzamento muito perigoso de Brais Méndez, uma jogada que serviu de prelúdio ao canto que nasceu dessa mesma ação.

O galego marcou o canto, que não encontrou quem finalizasse, mas acabou nos pés de Guedes, novamente à entrada da área. Com inteligência, serviu o capitão, ligeiramente descaído para a esquerda. Oyarzabal não hesitou: disparou para Raúl Fernández e assinou o empate com um remate cruzado ao quarto de hora. Tudo igual e a Real Sociedad mostrou os dentes, ultimamente bem afiados.

Aquele pequeno impulso anímico que normalmente os golos trazem também não significou muito para a Real Sociedad, sobretudo porque os jogadores do Alavés não viraram as costas ao jogo.

Soler, para os visitantes, e depois Calebe, para os anfitriões, apimentaram e criaram ocasiões numa primeira parte já bem condimentada.

Mas não ficou por aí. Mais intensidade foi acrescentada quando Jonny, novamente, identificou na perfeição o espaço a atacar. O experiente lateral direito antecipou-se a Turrientes, que entrou como um touro descontrolado e derrubou-o de forma desajeitada: penálti claro a favor do Alavés. Toni Martínez, com frieza, enganou Remiro da marca dos 11 metros e voltou a colocar os albiazuis em vantagem.

Pelos flancos, a Real Sociedad continuou a sofrer. Aihen não conseguia travar Jonny e Parada esteve perto do terceiro com um remate de longe. Calebe obrigou Remiro a ser o salvador e a equipa donostiarra agradeceu a chegada do intervalo.

Matarazzo deu a volta a Coudet

O início da segunda parte foi bem menos avassalador do que o arranque do encontro. Gonçalo Guedes, contudo, manteve-se fiel ao seu estilo, à procura do empate. Raúl Fernández apareceu com uma boa defesa, redimindo-se do 1-1 e mantendo a vantagem para os seus.

A apatia provocou alterações: Matarazzo, mais pressionado, mexeu na equipa e lançou Sucic e Odriozola. A equipa donostiarra não melhorou, pois não criava qualquer incómodo aos anfitriões.

Das distrações aproveitou Toni Martínez, que apanhou sozinho uma bola a três quartos do campo e ficou cara a cara com o guarda-redes. A sua corrida foi desajeitada: acabou por tropeçar e Caleta-Car roubou-lhe a bola. As queixas do avançado após a jogada surtiram efeito: o árbitro consultou o VAR e confirmou que o croata tinha claramente puxado a camisola ao ponta de lança.

Toni Martínez dispôs de novo penálti para completar o bis, mas Remiro, desta vez, adivinhou e defendeu o remate.

O nervosismo apoderou-se de Vitória e os de San Sebastián avançaram no terreno. Um cruzamento lateral quase terminou em tragédia para o Alavés. Um defesa rematou para a própria baliza e acertou no poste; na recarga, tanto Raúl Fernández como Pacheco tiveram de mostrar reflexos para evitar o empate.

A árvore realista voltou a ser abanada e desta vez começaram a cair os frutos. Primeiro, pelos pés de Gonçalo Guedes, que finalmente encontrou o seu golo após passe de Turrientes e fez o 2-2 com uma finalização de grande classe.

Quatro minutos depois, Sucic isolou Oskarsson, recém-entrado, que finalizou por entre as pernas do guarda-redes para consumar a reviravolta. Não sem protestos dos anfitriões, que reclamaram ao árbitro uma alegada interferência decisiva na jogada por se ter colocado no meio.

O Alavés puxou do orgulho para morrer na área adversária, mas não teve pontaria suficiente para empatar e forçar o prolongamento. Mais um ano, os txuri-urdines atingiram as meias-finais da Taça do Rei.

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