Recorde aqui as incidências do encontro
Num ambiente ensurdecedor, com um San Mamés em festa para receber o dérbi basco na Taça, milhares de vozes entoavam o hino do Athletic, deixando claro que os pupilos de Ernesto Valverde não iam entrar em campo apenas com garra... mas sim preparados até ao último detalhe, até nas caneleiras e nas meias. Encostar a Real às cordas, fazê-la tremer e duvidar com intensidade, agressividade e, claro, futebol, era o plano. Se possível, marcar cedo, mesmo sabendo que ainda faltava este jogo e o da segunda mão, era o objetivo.

Guruzeta teve o golo na cabeça após uma excelente jogada de Lekue pela direita, mas o seu remate foi travado por Remiro, muito bem posicionado. De imediato, a Real respondeu sem se intimidar com a hostilidade. Depois de um aviso de Oyarzabal à entrada da área, Pablo Marín apareceu isolado perante Padilla. O hispano-mexicano, guarda-redes da Taça, fez uma defesa prodigiosa para evitar o golo txuri-urdin.
Padilla voltou a ser chamado a intervir, já depois da meia hora de jogo, perante um cabeceamento de Jon Martín, sozinho ao segundo poste, após um livre. Defesa espetacular ao estilo andebol do guarda-redes.
Os comandados de Matarazzo, depois do ímpeto inicial dos anfitriões, iam sentindo-se cada vez mais confortáveis. Não foi assim, porém, quando nem o árbitro nem o VAR quiseram assinalar uma mão de Laporte que travou claramente um cabeceamento de Caleta-Car dentro da área. Neste futebol com vídeo, isso é penálti. Mas hoje o critério mudou. Veremos quanto tempo dura. Com alguns jogadores demasiado exaltados, como Adama e Aramburu, mesmo antes do intervalo Iñaki Williams finalizou mal uma excelente triangulação que o deixou em vantagem na área.
O dérbi recomeçou com mais uma intervenção magistral de Padilla, que se lançou como um gato para negar o golo a Oyarzabal. Na recarga, Gonçalo Guedes atirou ao poste com o guarda-redes no chão e a baliza escancarada. Por sorte para o português, estava em fora de jogo. Caso contrário, seria difícil dormir depois de falhar aquilo.
Quem não estava satisfeito com o que via era Valverde que, após um idiota ter atirado objetos à baliza da Real, fez quatro substituições de uma só vez em 10 minutos. Apesar dessas alterações, não conseguiu evitar o golo dos donostiarras. Uma perda de Galarreta foi aproveitada por Carlos Soler, que fez o passe perfeito para Guedes, que, antecipando-se a Padilla, deixou a bola para Turrientes, que só teve de empurrar para a baliza deserta. Corria o minuto 61.
Passaram muitos minutos até que o Athletic, por intermédio de Nico Williams, teve o empate de cabeça após mais um cruzamento de Lekue. Mais à base de arrancadas, os leões voltaram a estar perto do empate numa jogada brilhante de Selton, desperdiçada pelo mais novo dos Williams, novamente muito lento. Nico, aliás, acabou assobiado pelos próprios adeptos, que foram baixando o volume à medida que se aproximava o final de um jogo que deixa a equipa gravemente ferida, embora ainda a respirar graças ao seu guarda-redes, Álex Padilla.
