Análise: Quem é o O’Higgins, inédito adversário do Bahia na Taça Libertadores

O'Higgins chegou uma vez às meias-finais da Libertadores
O'Higgins chegou uma vez às meias-finais da LibertadoresO'Higgins FC

O Bahia mede forças com o O’Higgins num confronto inédito, esta quarta-feira, que vai muito além de esquema tático e suor. Saiba quem é o rival da equipa orientada por Rogério Ceni.

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Entre a história dos libertadores da pátria e a mística de estádios do Mundial, o Esquadrão inicia em Rancagua a batalha para carimbar o passaporte rumo à fase de grupos da Libertadores 2026.

Esta é a primeira vez que o O’Higgins vai enfrentar uma equipa brasileira na Libertadores.

Números e histórico

Em 2026, a equipacomandada pelo argentino Lucas Bovaglio realizou apenas quatro partidas, sendo três oficiais para o campeonato nacional. O retrospecto recente do La Celeste — como é conhecido o clube chileno — inclui quatro golos marcados e três sofridos, vindo de uma derrota por 2-1 com o Limache, na última jornada.

O revés sofrido deu ao O’Higgins a sexta posição no Campeonato Chileno. Por outro lado, La Celeste é um dos líderes nas estatísticas de finalizações no campeonato nacional, o que evidencia um setor ofensivo agressivo e que exige atenção redobrada. Esse volume de jogo pode ser um sinal de alerta para a defesa do Esquadrão, que sofreu golos em cinco das últimas seis partidas e precisará de solidez para conter o ímpeto dos anfitriões.

Em contrapartida, a equipa treinada por Rogério Ceni chega com um ritmo mais intenso, tendo disputado onze partidas até ao momento – quase o triplo dos chilenos. Apesar do excesso de jogos e de entrar na sua terceira competição esta temporada, o Tricolor Baiano ostenta um trunfo gigante para o duelo no Chile: invencibilidade absoluta em 2026.

Performance do Bahia esta temporada
Performance do Bahia esta temporadaFlashscore

Nomes conhecidos no plantel

No plantel do O’Higgins, dois nomes têm passagem pelo futebol brasileiro: o argentino Martín Sarrafiore e o chileno Bryan Rabello. Sarrafiore teve uma passagem mais extensa no Brasil, defendendo o Internacional entre 2018 e 2020, antes de vestir as camisolas do Coritiba e do Vasco. Já Rabello teve uma experiência mais curta no Brasil, jogando pelo Novorizontino em 2023.

O médio argentino, inclusive, já cruzou o caminho do Bahia em duas oportunidades: no Brasileirão de 2019, defendendo o Internacional, Sarrafiore saiu do banco na vitória gaúcha por 3-2 em plena Arena Fonte Nova. O troco Tricolor veio no ano seguinte: em 2020, quando o médio vestia a camisola do Coritiba, o Bahia venceu por 2-1. O duelo desta quarta-feira em solo chileno pode servir como um “tira-teimas” pessoal para o jogador.

Longevidade vs Novidade

Enquanto Rogério Ceni alcança a marca expressiva de 171 à frente do Bahia na noite desta quarta-feira, consolidando um trabalho de longo prazo, Lucas Bovaglio fará apenas a sua quarta partida sob o comando do clube chileno.

O treinador argentino de 46 anos foi contratado para substituir compatriota Francisco Meneghini, chegando ao O’Higgins após uma passagem de duas temporadas pelo Palestino

Números de Ceni com o Esquadrão na Libertadores
Números de Ceni com o Esquadrão na LibertadoresFlashscore/EC Bahia

Chilenos voltam à Libertadores

Foi o terceiro lugar no Campeonato Chileno da última temporada que garantiu o regresso do O’Higgins à Libertadores em 2026. O clube encerrou um hiato que durava desde 2014, quando foi eliminado na fase de grupos, num agrupamento equilibrado com Lanús, Deportivo Cali e Cerro Porteño

Curiosamente, os chilenos somam agora cinco participações no torneio continental — exatamente a mesma marca do Bahia. No entanto, o Tricolor carrega um peso histórico adicional nessa estatística: foi o pioneiro, sendo o primeiro clube brasileiro a disputar a competição na sua edição inaugural.

História de baianos e chilenos na Libertadores
História de baianos e chilenos na LibertadoresFlashscore

A melhor participação do O’Higgins na Libertadores aconteceu em 1980, quando o clube alcançou a sua melhor marca, ao chegar às meias-finais. Vale lembrar que, naquele período, o regulamento era diferente: a fase das meias-finais era composta por dois grupos de três equipas. Apenas o líder de cada grupo garantia a vaga na grande decisão — um formato que exigia regularidade em poucos jogos.

Solo sagrado para brasileiros

Inaugurado em 1947, o estádio El Teniente carrega uma energia especial: foi uma das sedes do Mundial de 1962. Para o Bahia, o local pode servir como um amuleto de motivação, já que foi naquele ano e naquele solo chileno que o Brasil celebrou o seu bicampeonato mundial. Atuar num palco de tamanha glória para o futebol brasileiro é o cenário ideal para o Tricolor procurar o seu terceiro triunfo como visitante na história da Libertadores.

O El Teniente também foi o cenário da decisão do Sul-Americano Sub-17 em 2017. Naquela ocasião, nem mesmo o fator casa foi suficiente para conter a seleção brasileira: os "Canarinhos" chegaram ao título de forma avassaladora, aplicando uma goleada histórica de 5-0 sobre os anfitriões chilenos.

Localizado em Rancagua, o palco do duelo desta quarta-feira passou por uma modernização em 2013. Atualmente, o estádio remodelado tem capacidade para receber pouco mais de 15 mil adeptos. 

Quem foi Bernardo O'Higgins

No dia 12 de fevereiro de 1818, o Chile proclamou-se uma república independente sob a liderança de Bernardo O’Higgins. O Diretor Supremo desempenhou um papel de liderança muito importante no combate ao controlo espanhol e na conquista da soberania nacional. Anos depois, em 1955, a fusão entre os rivais O’Higgins Braden e América deu origem a um novo clube que, em homenagem ao herói nacional, herdou o seu nome: O’Higgins.

A conexão histórica ganha novos rumos em 1965, quando a Taça dos Campeões da América é rebatizada como Libertadores da América. O novo nome foi justamente uma homenagem aos heróis das independências dos países sul-americanos – como o próprio Bernardo O’Higgins.

Assim, o adversário do Bahia não carrega apenas o nome de um clube, mas a própria essência e origem do torneio continental.

O duelo da segunda mão entre Bahia e O’Higgins acontecerá na próxima quarta-feira, na Arena Fonte Nova. Quem levar a melhor nos 180 minutos garante a qualificação e terá pela frente, na terceira fase, o vencedor do confronto entre Deportivo Táchira (Venezuela) e Tolima (Colômbia).