Governo britânico manifesta preocupação com acusações de abuso contra coproprietário do West Ham

O co-proprietário do West Ham, David Sullivan, negou as acusações contra si
O co-proprietário do West Ham, David Sullivan, negou as acusações contra siGLYN KIRK / AFP

As alegações de que o bilionário co-proprietário do West Ham, David Sullivan, terá aliciado mulheres para sexo são "profundamente preocupantes", afirmou o governo britânico esta terça-feira.

O empresário de 77 anos demitiu-se recentemente do cargo de co-presidente do clube de futebol londrino para contestar o que classificou como "acusações falsas" sobre a sua vida privada. No entanto, Sullivan, que construiu um império empresarial através da posse de revistas pornográficas, continua a ser o maior acionista do West Ham.

A BBC e o jornal The Times noticiaram na segunda-feira relatos de sete mulheres que acusam Sullivan de comportamentos sexualmente exploratórios e predatórios.

As alegações remontam às décadas de 1980 e 1990, período em que Sullivan era proprietário dos tablóides britânicos Daily Sport e Sunday Sport. As mulheres afirmam que Sullivan esteve envolvido em pressões sobre jovens modelos, ou aspirantes a modelos, no final da adolescência ou início dos 20 anos.

Num comunicado, um porta-voz do Departamento para a Cultura, Media e Desporto do Reino Unido afirmou: "Estas alegações profundamente preocupantes devem ser tratadas com a máxima seriedade e investigadas pelas autoridades competentes, sendo garantido às vítimas o apoio de que necessitam."

Falando no sábado, antes de as alegações serem tornadas públicas, Sullivan disse que "nega categoricamente" todas as acusações.

Nem ele nem os seus advogados fizeram qualquer outro comentário público desde que as notícias foram publicadas na segunda-feira no Times e na BBC.

A Polícia Metropolitana de Londres informou que está a investigar uma denúncia relacionada com o "alegado registo de imagens indecentes e exploração sexual em locais em Londres e Essex nos anos 1980".

A força policial indicou que a investigação diz respeito a uma alegada vítima e está a ser conduzida por detetives especializados.

"Levamos todas as denúncias de crimes contra mulheres e raparigas extremamente a sério, independentemente do tempo decorrido. Como em todos os casos, qualquer informação ou prova fornecida à polícia será avaliada e as diligências adequadas serão realizadas", declarou a polícia metropolitana.

Num comunicado em que anunciou a sua saída do cargo de co-presidente do West Ham no último fim de semana, Sullivan afirmou: "As falsas acusações feitas contra mim foram sensacionalizadas pelos media. Depois de uma vida dedicada à construção de negócios na indústria para adultos, na qual conheci milhares de mulheres, é infelizmente inevitável que um pequeno número de alegações de conduta imprópria surja contra mim. Nego categoricamente estas acusações".

Acrescentou que abandonar os cargos de presidente e diretor no West Ham foi "incrivelmente doloroso", mas uma decisão tomada "por amor, respeito e responsabilidade" para com o clube e os seus adeptos.

Sullivan e o seu sócio David Gold concluíram a aquisição do West Ham após venderem outro clube de futebol, o Birmingham City, tendo trazido consigo Karren Brady como vice-presidente.

O seu mandato ficou marcado pela impopular mudança de Upton Park para o antigo Estádio Olímpico em 2016, tornando o trio alvo de inúmeros protestos anti-direção entre os adeptos do West Ham, mesmo antes de o clube ter descido de divisão da Premier League no mês passado. Gold morreu em 2023, com 86 anos, enquanto Brady deixou o cargo em abril.

O Regulador Independente do Futebol de Inglaterra (IFR) afirmou na segunda-feira que está em contacto com o West Ham sobre as "alegações extremamente graves".

Um porta-voz acrescentou: "Usaremos os nossos poderes estatutários para solicitar urgentemente informações a David Sullivan relativamente à sua idoneidade ao abrigo do nosso regime de proprietários, diretores e executivos seniores."

O empresário checo Daniel Kretinsky adquiriu uma participação de 27 por cento no West Ham em 2021 e, segundo relatos, deverá aumentar a sua posição.