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Hóquei em patins: Nuno Lopes diz que "fome de títulos" levou a França ao ouro no Mundial

França celebrou título mundial
França celebrou título mundialEquipe de France Roller & Skateboard

O treinador português Nuno Lopes, que levou a França à conquista do inédito título mundial de hóquei em patins, disse esta terça-feira à Lusa que o feito nasceu “da fome dos jogadores” gauleses em quererem vencer.

“A França tinha fome de ganhar o título. E tudo fez, neste caso, a todos os níveis para que isso acontecesse”, disse Nuno Lopes, ainda em euforia, mas consciente de que o futuro está à porta, com o regresso ao trabalho no banco do SC Tomar.

Nuno Lopes, de 54 anos, que acumula as funções de selecionador de França com as de treinador do SC Tomar, já conquistou vários troféus na sua carreira, mas este conquistado no Paraguai, por se tratar de um Mundial, e de seleções, “tem um sabor muito especial”.

“É o topo máximo. A Liga dos Campeões é muito importante, mas esta é a principal competição de seleções, em que estão, garantidamente, os melhores jogadores de cada país”, destacou, realçando o feito inédito de ter sido o primeiro título da França.

Para o treinador português, que cresceu a acompanhar os êxitos do hóquei em patins nacional, com grandes feitos, conquistar o título de campeão do mundo é algo que tem “um peso histórico muito grande” e que os portugueses muito valorizam.

“Ganhar o primeiro título mundial com uma seleção de França, um país onde ninguém, se calhar, esperava, ou pouco esperavam, é, de facto, uma coisa notória, para mim, neste caso, e para o mundo do hóquei em patins”, defendeu o treinador.

A França é o sexto país a conquistar o campeonato do Mundo de hóquei em patins, em 90 anos e 47 edições, que após os dois primeiros entregues à Inglaterra, tem sido dominado pela Espanha, com 18, Portugal (16), Argentina (6) e Itália (4).

“A França (vice-campeã europeia em título) tem andado perto. Tem andado pelos terceiros lugares (em 2022, na Argentina) e, no campeonato da Europa, já pisou várias vezes a final, sem contudo chegar ao título”, explicou Nuno Lopes.

A França nunca tinha pisado uma final de um Mundial, ao contrário dos Europeus, e o facto de conquistar o título na primeira que disputou, frente à Argentina, realça ainda mais o feito.

“Normalmente, nós costumamos dizer que para ganharmos títulos, temos que passar por finais. E não deixa de ser importante dizer que, na primeira final que a França disputou num Mundial, consegue ganhar. Portanto, é caso para dizer aquela frase bonita: as finais foram feitas para ganhar”, disse.

E o segredo da França para chegar ao título, de acordo com Nuno Lopes, “foi a identidade da seleção, com uma forma muito própria de jogar, uma forma diferente de todas as outras”.

“Assumimos o risco com mais facilidade. Onde assumimos uma ideia de ataque, do ponto de vista defensivo, do ponto de vista ofensivo. No fundo, nós queremos mandar no jogo, não queremos que as outras equipas mandem em nós”, explicou.

Nuno Lopes acrescenta que a seleção francesa “condiciona demasiado o jogo no sentido de este evoluir para o que pretende” e esse é o segredo que levou às vitórias, nunca desistindo do resultado, e ao inédito título.

“Agora, claro, isto tudo não são só ideias. Porque há os executantes e há aqueles, neste caso, os jogadores que acabam, nos momentos certos também, serem decisivos e, do ponto de vista técnico, serem muito evoluídos e serem bons jogadores”, apontou.

De entre os jogadores gauleses que chamaram a si o papel de desequilibradores estão os irmãos Carlo (FC Porto), Bruno (Oliveirense) e Roberto di Benedetto, Rouzé (Oliveirense), Rémi Herman (ex-SC Tomar) e o guarda-redes luso-francês Pedro Chambell (Saint-Omer, Fra), filho do internacional português bicampeão do mundo António Chambell.

“Isto permite à França poder juntar o lado técnico individual com o lado da tática coletiva do treinador e é esta fusão que acaba por dar uma França diferente dos outros. Que agora a gente elogia, se calhar, mais, porque ganhou, mas os outros também têm o seu valor”, considerou o treinador.

O facto de jogadores gauleses competirem no campeonato português e, consequentemente, nas competições europeias de clubes, pode ter algum peso na construção da seleção, tal como a Argentina, que incluía nove jogadores a jogar em Portugal, mas também tem que existir valor individual.

“Se as equipas portuguesas são das melhores do mundo, se esses jogadores são preponderantes nessas equipas, é o facto que a seleção francesa acaba por ter, neste caso, vantagem com isso”, defendeu, destacando os três irmãos Di Benedetto e Rémi Herman.

Nuno Lopes acredita que o título mundial “vai trazer algum mediatismo, natural e normal”, mas está tranquilo quanto ao futuro, com a certeza de que este não foi o último que conquistou e outros se seguirão.

“Onde não faço ideia, mas temos que ser realistas e dizer que amanhã é no Sporting de Tomar. E o Sporting de Tomar ainda tem títulos este ano para ganhar. Depois, haverá mais coisas, neste caso, com a França”, finalizou Nuno Lopes.

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