Jogos Olímpicos de Inverno: Brignone faz história e completa conto de fadas, infortúnio de Shiffrin persiste

Thea Louise Stjernesund, da Noruega, e Sara Hector, da Suécia, fazem uma vénia a Federica Brignone, de Itália
Thea Louise Stjernesund, da Noruega, e Sara Hector, da Suécia, fazem uma vénia a Federica Brignone, de ItáliaREUTERS/Leonhard Foeger

Federica Brignone viveu um verdadeiro conto de fadas nos Jogos Olímpicos de Inverno, este domingo, ao conquistar o seu segundo ouro nos Jogos de Milão-Cortina, enquanto Mikaela Shiffrin, longe da melhor forma, voltou a ficar fora das medalhas.

A experiente italiana Brignone iniciou os Jogos Olímpicos em casa como uma das porta-estandartes do seu país na cerimónia de abertura, e fez história nas pistas ao tornar-se na primeira esquiadora italiana a conquistar o ouro em duas provas na mesma edição dos Jogos, depois de vencer o slalom gigante.

Aos 35 anos, já era a nova campeã olímpica de super-G, e os seus feitos em Cortina d'Ampezzo ganham ainda mais relevo por ter recuperado há pouco tempo de uma fratura na perna sofrida há apenas dez meses.

Junta-se assim ao ícone do esqui masculino Alberto Tomba como os únicos italianos a arrecadar dois ouros nos mesmos Jogos, com Tomba a vencer o slalom e o slalom gigante em Calgary, em 1988.

"Estou tão sem palavras que nem sei bem o que se está a passar," confessou uma Brignone radiante.

"Hoje senti-me tão tranquila, talvez até demasiado calma antes da primeira descida, e mesmo na segunda pensei 'como é possível sentir-me assim?'. Quando cruzei a meta só ouvi aplausos e não fazia ideia do que estava a acontecer", acrescentou.

Brignone realizou duas descidas impecáveis no slalom gigante, terminando 0,62 segundos à frente das medalhadas de prata Sara Hector, da Suécia, e Thea Louise Stjernesund, da Noruega, tornando-se campeã olímpica e mundial na sua disciplina de eleição.

O seu tempo total de 2m13,50s deu à Itália a 20.ª medalha nestes Jogos, igualando o melhor registo de sempre do país anfitrião em Jogos Olímpicos de Inverno, alcançado em Lillehammer, em 1994.

O comité olímpico italiano, CONI, tinha como meta 19 medalhas, marca atingida com o bronze conquistado pela equipa masculina de esqui de fundo na sexta-feira.

Brignone "muito cool"

O triunfo de Brignone prolongou por mais três dias o seu próprio recorde como a mais velha medalhada de ouro, homem ou mulher, na história da modalidade, brilhando novamente sob um sol radiante apesar das dores constantes provocadas por uma lesão que quase pôs fim à sua carreira.

Fê-lo numa pista que, para a segunda descida, foi desenhada pela treinadora de Shiffrin, Karin Harjo, que optou por um traçado mais lento e técnico, na esperança de favorecer a sua pupila.

No entanto, Shiffrin, que detém o recorde absoluto de 22 vitórias em slalom gigante na Taça do Mundo, voltou a ficar aquém das expectativas, sendo sétima na primeira descida e 13.ª na segunda, terminando na 11.ª posição da geral.

A norte-americana, de 30 anos, elogiou os feitos de Brignone, mostrando-se magnânima e filosófica após mais um dia dececionante, depois de uma prestação aquém do esperado na prova combinada por equipas, que lhe custou, a si e a Breezy Johnson, um lugar no pódio.

"É mesmo muito bom ver isto", disse Shiffrin sobre Brignone.

"A lesão dela foi gravíssima. A quantidade de reabilitação por que passou e o esforço que fez. A mentalidade necessária para confiar e lançar-se encosta abaixo. Gostava de conseguir explicar o quão impressionante isto é. A melhor esquiadora de slalom gigante desta geração é a campeã olímpica", acrescentou.

Shiffrin tem agora apenas o slalom de quarta-feira – a sua especialidade – para tentar pôr fim ao jejum olímpico de oito anos sem medalhas.

Deixou os Jogos de Pequim-2022 sem qualquer medalha em seis provas, não conseguindo sequer terminar três delas, mas nos anos seguintes consolidou-se como a melhor de sempre, com um recorde de 108 vitórias na Taça do Mundo.

A sua última medalha olímpica foi o ouro no slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang.