Jogos Olímpicos de Inverno: Cerimónia de abertura em quatro locais de Itália

Itália dá início aos seus Jogos Olímpicos de inverno com uma cerimónia em quatro locais
Itália dá início aos seus Jogos Olímpicos de inverno com uma cerimónia em quatro locaisREUTERS

Está dado o pontapé de saída: Itália inaugurou na noite de sexta-feira os Jogos Olímpicos de inverno de Milão Cortina com uma cerimónia de abertura realizada simultaneamente em quatro locais, desde o mítico estádio San Siro até às aldeias alpinas de Cortina, Predazzo e Livigno, celebrando a "harmonia" destes Jogos dispersos.

Às 20:00 locais (19:00 de Lisboa), no coração do recinto milanês envolto por uma atmosfera ainda amena, várias dezenas de artistas ocuparam uma espiral prolongada por quatro ramificações que se abriam simbolicamente para os palcos secundários, situados na neve a centenas de quilómetros da capital lombarda.

Os primeiros quadros do espetáculo prestaram homenagem à beleza italiana e ao mito de Cupido e Psique, seguindo-se tributos aos grandes compositores Verdi, Puccini e Rossini. E enquanto Lady Gaga tinha iluminado o início da cerimónia dos Jogos Olímpicos de 2024 em Paris, interpretando Zizi Jeanmaire, desta vez foi a diva americana Mariah Carey a dar início às festividades, cantando em italiano o célebre refrão "Volare".

Pela primeira vez, o desfile dos atletas decorrerá simultaneamente em quatro locais, permitindo ao maior número possível de participantes estar presente, um desafio especialmente exigente para estes Jogos, os mais dispersos da história olímpica de inverno.

No final da cerimónia, a antiga estrela italiana do esqui Alberto Tomba deverá ser o último portador da chama e acender a pira olímpica sob o Arco da Paz em Milão, segundo uma fonte conhecedora do programa das festividades. De acordo com o La Gazetta dello sport, Deborah Compagnoni acenderá a pira na praça Dibona em Cortina d'Ampezzo.

Estes Jogos de Milão Cortina (6-22 de fevereiro), cujas provas estarão distribuídas por 22.000 km2 e sete locais em todo o nordeste da península, representam um desafio logístico, mesmo sendo realizados em "terreno familiar" (os Alpes), após quatro edições mais exóticas entre 2010 e 2022 (Vancouver, Sotchi, Pyeongchang e Pequim).

Trégua olímpica

Estes Jogos, os primeiros sob a liderança da zimbabuense Kirsty Coventry à frente da entidade máxima do desporto mundial, decorrem num contexto geopolítico pesado, ainda marcado, nomeadamente, pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Médio Oriente.

A dupla campeã olímpica de natação manifestou no domingo o desejo de que "o espírito dos Jogos" permita deixar de lado "tudo o que desvia a atenção" da competição, começando pelos debates sobre o envio para Itália de membros da polícia americana de imigração ICE.

Horas antes da abertura dos Jogos, o Papa Leão XIV apelou ao mundo para respeitar a trégua olímpica, "instrumento de esperança", numa altura em que, em novembro, os Estados-membros da ONU aprovaram uma resolução que pede a suspensão dos conflitos internacionais durante os Jogos Olímpicos, um ideal frequentemente ignorado.

Algumas competições desportivas (curling, hóquei no gelo, patinagem artística) já começaram, antecipadamente, desde quarta-feira à noite. Quanto à estrela americana da descida Linsday Vonn, gravemente lesionada num joelho a 30 de janeiro, concluiu sem problemas aparentes a primeira descida de treino durante a manhã, com a articulação protegida por uma ortótese, dois dias antes da prova marcada para domingo.

Arte, moda e fantasia

Centenas de estudantes manifestaram-se durante a tarde em Milão contra a presença da ICE, enquanto um pavilhão desportivo abandonado foi ocupado perto do estádio San Siro para organizar contra-olimpíadas este fim de semana. Mas neste recinto mítico do futebol italiano, com capacidade para 75.000 pessoas, a cerimónia pretende, segundo os seus organizadores, transmitir uma mensagem de "paz" e exaltar a "fantasia" e a cultura italiana.

A arte, a moda, o design e a "fantasia" italianas estiveram em destaque, com o tenor Andrea Bocelli, o ator e produtor Pierfrancesco Favino, a cantora Laura Pausini e uma homenagem ao estilista Giorgio Armani, falecido em setembro passado.

Como em todas as cerimónias de abertura, o espetáculo também se estende à tribuna oficial, com muitos dirigentes esperados e um primeiro encontro entre Kirsty Coventry e a administração americana – representada pelo vice-presidente JD Vance e pelo secretário de Estado Marco Rubio – a dois anos dos Jogos Olímpicos de verão de 2028 em Los Angeles.

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni aproveita a presença de vários chefes de Estado para se reunir, nomeadamente, com JD Vance, o presidente polaco Karol Nawroki e o emir do Catar, o xeque Tamim ben Hamad Al Thani.

O evento de Milão Cortina terá outros espectadores muito atentos: os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2030 previstos para os Alpes franceses, também em formato disperso.