"Queremos que ele participe. Queremos mesmo, mesmo que ele tenha o seu momento, é muito importante", afirmou com insistência perante a imprensa Mark Adams, o porta-voz do organismo olímpico.
O COI vai, por isso, "contactar hoje" Vladislav Heraskevych, especialista em skeleton que reafirmou na terça-feira à noite a intenção de usar um capacete cinzento decorado com imagens serigrafadas de vários atletas ucranianos mortos na guerra, tendo-o voltado a exibir esta quarta-feira no treino.
"Vamos reiterar as inúmeras formas que ele tem de expressar o seu pesar. Como já discutimos, pode fazê-lo nas redes sociais, em conferências de imprensa, na zona mista, por isso tentaremos falar com ele e convencê-lo", acrescentou o porta-voz, numa altura em que as provas de skeleton arrancam na quinta-feira.
O organismo olímpico proibiu o atleta ucraniano de usar esse capacete ao abrigo do artigo 50 da Carta Olímpica, que proíbe qualquer forma "de propaganda política" nos locais de competição, na aldeia olímpica ou durante as cerimónias de entrega de medalhas.
Como "compromisso", o COI propôs-lhe na manhã de terça-feira usar uma braçadeira preta, "sem texto", para homenagear os seus compatriotas sem referência direta à guerra russo-ucraniana.
"Existem 130 conflitos em curso no mundo. Não podemos ter 130 conflitos diferentes, por mais terríveis que sejam, destacados durante as provas", argumentou esta quarta-feira Mark Adams. Os atletas "dedicaram toda a sua vida para chegar aqui" e querem "um espaço de competição justo para todos e livre de interferências".
Questionado sobre o risco de desqualificação de Vladislav Heraskevych caso insista, o porta-voz do COI disse esperar que ele se deixe convencer, "talvez (por) outros atletas", "pois é do interesse de todos que ele possa competir".
"Não digo que tenhamos uma solução, mas penso que aqui é preferível que as pessoas conversem e que a interação humana prevaleça", acrescentou.
"Mas, obviamente, existem regras, que os próprios atletas querem ver cumpridas, e assim será", sublinhou Mark Adams, recordando que a proibição de mensagens políticas em competição foi reforçada em 2021 após uma ampla consulta a 4.500 desportistas.
