Os atletas? Os drones não os incomodam. "Não, nem te apercebes disso", contou o veterano do luge Felix Loch. "Ouves o som pouco antes de começares, mas assim que o semáforo fica verde e entras na pista, já não te dás conta." Fora isso, elogia a nova perspetiva: "São imagens diferentes. Fica mesmo muito giro. É preciso dizer, é realmente uma coisa muito, muito, muito interessante o que os rapazes estão a fazer ali."
Novas perspetivas para o público em casa – é precisamente isso que o COI pretende alcançar com os seus Olympic Broadcast Services (OBS), responsáveis pela transmissão global. "O objetivo é que os espectadores sintam que estão mesmo ao lado dos atletas na pista", explica o diretor do OBS, Yiannis Exarchos. Os drones de última geração, acrescenta, permitem agora imagens "que nunca tinham sido vistas na cobertura destas modalidades".
Drones como "evolução do desporto"
Nas provas de esqui, os drones já são utilizadas há algum tempo. Em dezembro de 2015, chamaram pela primeira vez a atenção – e de forma bastante desagradável, pois um aparelho de grandes dimensões caiu na pista, durante o slalom em Madonna di Campiglio, apenas a poucos metros de Marcel Hirscher (Áustria). Imagens televisivas espetaculares captadas por drones surgiram pela primeira vez no Mundial de Esqui Alpino 2023 em França: nessa altura, os dispositivos, agora muito mais pequenos, voaram a grande velocidade atrás dos atletas pela pista abaixo.
Os drones vieram para ficar. "Vemos isto como uma evolução do desporto", afirma o diretor desportivo do COI, Perre Ducrey. As expectativas do público são, atualmente, "que ao assistir a um evento desportivo, especialmente aos Jogos Olímpicos, se tenha este tipo de experiência". O COI procura "sempre proporcionar a melhor experiência de visualização – seja no estádio ou fora dele". Os atletas, segundo ele, "não são significativamente" afetados.
"Para nós, são imagens mesmo giras. Fica giro. Não me apercebo disso, está tão longe", diz a esquiadora Emma Aicher. O campeão olímpico de luge Langenhan vê ainda margem para melhorias no canal de gelo. "Provavelmente alguém vai criticar-me, mas: quando várias curvas, que para nós são pontos-chave, não são mostradas, isso é chato. O drone é gira, mas têm de aproximar-se mais."
