Janine Flock, que há oito anos liderava antes da última descida mas caiu para a quarta posição, falhando a medalha por dois centésimos de segundo, não vacilou desta vez e conquistou a primeira medalha feminina de skeleton para o seu país.
Susanne Kreher, da Alemanha, ficou com a prata, a três décimos, à frente da compatriota Jacqueline Pfeifer. Outra alemã, Hannah Neise, que tinha conquistado o ouro em Pequim aos 21 anos, terminou em quarto lugar.
Janine Flock tornou-se na primeira mulher austríaca a conquistar uma medalha no skeleton e apenas na segunda medalhada do país na modalidade, depois de Martin Rettl ter alcançado a prata masculina em 2002. É também a vencedora mais velha da prova feminina, que se estreou nos Jogos nesse mesmo ano.
Flock teve um início de noite de sonho, saindo em primeiro lugar na terceira descida e registando o mesmo tempo da segunda – 57,26 segundos – apenas ligeiramente acima do recorde da pista que estabelecera na primeira descida, demonstrando uma consistência que ninguém conseguiu igualar.
Depois, limitou-se a assistir enquanto as três alemãs que a pressionavam durante a noite perdiam terreno com terceiras descidas pouco limpas, ficando subitamente com uma vantagem de 0,21 segundos sobre Kreher, com Pfeifer e Neise praticamente fora da luta pelo ouro.
Seria compreensível que Flock estivesse nervosa ao preparar-se para a última descida. Em Pyeongchang, liderava sem nunca ter conseguido um dos dois melhores tempos em qualquer das três descidas anteriores.
Nessa altura, uma descida menos conseguida atirou-a para o quarto lugar, mas agora, mais experiente e com três títulos gerais da Taça do Mundo no currículo, esteve irrepreensível, com um tempo de 57,28 – conseguindo as quatro descidas num intervalo de apenas seis centésimos de segundo.
Os seus tempos tornam-se ainda mais impressionantes tendo em conta os arranques pouco conseguidos, sendo frequentemente das piores entre as 25 participantes, mas recuperando sempre graças à sua calma e à forma fluida como enfrentou a desafiante parte superior da nova pista de Cortina.
"Mantive-me sempre fiel a mim própria. Senti-me incrivelmente confortável desde o início e nunca duvidei de que podia vencer aqui", afirmou Flock, que, antes e depois de PyeongChang-2018, terminou em nono em Sochi e em 10.º em Pequim, respetivamente.
"É uma sensação inacreditável cruzar a meta, ouvir os aplausos, ver as bandeiras vermelho-branco-vermelho e poder abraçar todos os membros da equipa e a minha família. Não consegui perceber qual tinha sido o meu tempo (na última descida). Só sabia que tinha feito quatro descidas muito consistentes e esperava que fosse suficiente", acrescentou.
O programa de skeleton termina este domingo, com a estreia olímpica da estafeta mista de dois elementos, em que Alemanha e Grã-Bretanha, contando com o recém-coroado campeão olímpico de singulares Matt Weston, esperam disputar o ouro.
