Na sexta-feira, o grande favorito, o norte-americano Ilia Malinin, e praticamente todos os melhores perderam o controlo, à exceção de Shaidorov, que conquistou o segundo título olímpico da história do seu país nos Jogos de Inverno. "É uma medalha para todo o Cazaquistão", afirmou, sorridente, numa entrevista à AFP.
- Como foram estes dois últimos dias e já se apercebeu de que é campeão olímpico?
- Praticamente não dormi. Dormi apenas duas horas e acordei com muitas surpresas. Muita coisa aconteceu nesse espaço de tempo, é uma festa para todo o Cazaquistão. Este era, sem dúvida, o meu maior sonho: proporcionar uma celebração assim ao meu país. Agora sim, percebi que me tornei campeão olímpico. É provavelmente mais do que alguma vez sonhei. O principal que fiz foi trabalhar. Gosto muito de trabalhar e percebo que, no futuro, vou ter de trabalhar ainda mais.
- Antes dos Jogos, era quase impensável que o título escapasse a Malinin. Imaginava que o ouro era possível ou lutava apenas pelo pódio?
- Na verdade, quando fui para os Jogos Olímpicos, não pensava propriamente nas medalhas. Queria apenas fazer uma grande exibição, apresentar um programa limpo. Mas, no melhor dos cenários, pensava na medalha de bronze. Dizia para mim próprio que, se tudo corresse bem, podia aspirar ao bronze. Nunca poderia ter imaginado uma medalha de ouro.
- Estava em 5.º lugar após o programa curto, mas a quase dez pontos do pódio. Foi uma desilusão?
- Depois do curto, sentia-me muito bem, porque tinha feito tudo o que podia. Para mim, o 5.º lugar era muito bom, porque mantive-me no grupo mais forte e patinei na segunda posição desse grupo. Queria apenas cumprir o meu trabalho e, independentemente do resultado, seria assim. Sabia que, com bons resultados, podia chegar ao pódio e conquistar a medalha de bronze, mas para mim o bronze era o máximo, não pensava no ouro.
- Conseguiu manter-se descontraído durante a competição?
- Antes do programa curto e antes do programa livre, passei o tempo a montar Legos. Isso acalma-me bastante e ajuda-me a concentrar. Mas na véspera do programa livre foi muito difícil, porque a minha cabeça começou mesmo a fervilhar.
- Pode contar-nos como começou no patinagem?
- No início, o meu pai pôs-me uns patins, comecei a patinar, mas não gostava, então decidi experimentar ginástica, mas depois, por algum motivo, algo mudou em mim e decidi que queria voltar a patinar. E, a partir desse momento, acho que nunca mais saí do gelo, só queria patinar, patinar, dava-me mesmo prazer. Gostava muito e isso é provavelmente o mais importante. Depois, aos 13 anos, vi o Yuzuru Hanyu (campeão olímpico em 2014 e 2018) e, para mim, foi uma fonte de motivação incrível, que me trouxe até aqui.
- O que significa para si ter sido consagrado campeão olímpico ao bater Ilia Malinin?
- O Malinin é muito importante para a patinagem. Partilhamos o gelo há muito tempo, desde as competições de juniores, por assim dizer. E sinto-me extremamente orgulhoso do patinagem artística, porque nós, a grande família dos patinadores, temos dois atletas em patinagem individual que partilham o gelo e esforçam-se por desenvolver este desporto. Penso que muitos patinadores artísticos contribuem para o desenvolvimento da patinagem artística e que eu e o Ilia vamos continuar a desenvolvê-la juntos. Acho que isso é o mais importante.
- Era já conhecido no Cazaquistão antes dos Jogos e espera tornar-se uma estrela no seu país?
- Na verdade, muita gente já me conhecia no Cazaquistão. Mas agora, penso que já não vou conseguir sair à rua sem que alguém me reconheça. É um orgulho incrível, sobretudo para o país. Trabalhei muito para chegar aqui. Muitas pessoas, todos os que me rodeiam, queriam isto e acreditavam. É, sem dúvida, um enorme orgulho para o país, sobretudo porque penso que a nossa patinagem artística o merece. É uma medalha para todo o Cazaquistão.
