O que antes era uma modalidade com seis meses de pausa total, transformou-se num compromisso de ano inteiro, onde o período sem gelo é crucial para o sucesso na temporada competitiva.
Com apenas três semanas de descanso total para recuperação, os curlers enfrentam uma rotina rigorosa que combina preparação física, testes de alta performance e planeamento estratégico.

Meses quentes são de preparação
Durante os dois meses em que as pistas estão fechadas, o foco migra para o condicionamento físico. A preparação é dividida em pilares essenciais:
Força do tronco: Vital para a estabilidade tanto no momento do lançamento da pedra quanto na varredura do gelo.
Resistência cardiovascular: Essencial para suportar partidas de duas horas. Em dias de torneio, um atleta pode enfrentar três jogos seguidos, totalizando cerca de nove horas de esforço físico e mental.
Treino de intervalo: O curling exige que o atleta saia de um esforço explosivo na varredura para um estado de calma absoluta no lançamento, o que requer um coração treinado para recuperar rapidamente.

Acampamentos de verão
Membros das seleções nacionais juniores, por exemplo, participam em acampamentos de treino intensivo. Sem gelo, o foco é em atletismo e na prática de desportos complementares para melhorar a coordenação e o espírito de equipa.
O acompanhamento é científico: duas vezes por ano, os atletas passam por testes de esforço em clínicas especializadas para analisar a sua condição física. Os planos de treino são ajustados individualmente com base em diários de treino semanais enviados aos treinadores, garantindo que cada hora de exercício contribua para o ápice da performance.
Retorno precoce ao gelo
A folga do frio dura pouco. Já em junho, pistas como a de Baden (uma das poucas com gelo no verão europeu) reabrem para treinos. Esta fase inicial é dedicada quase exclusivamente à técnica de lançamento da pedra.
Fazem parte dos treinos nesta fase o alinhamento de ombros e postura, a precisão na soltura da pedra, e a comunicação tática entre os jogadores.
Como o circuito de torneios exige muitas viagens internacionais, os meses quentes também servem para os curlers dedicarem tempo à família, aos amigos e às atividades fora do desporto.
