A primeira vez que Weston partiu as costas, acabou com uma carreira promissora nas artes marciais para o atleta de 28 anos, mas, de forma inesperada, acabou por ser uma bênção.
Foi assim que descobriu o skeleton, ou como ele próprio descreve, descer a pista gelada de cabeça para a frente numa "bandeja de chá muito cara".
Apesar de a segunda fratura ter acontecido já numa descida de skeleton, Weston insistiu e isso valeu-lhe dois títulos mundiais e a conquista geral da Taça do Mundo.
No entanto, o dia de sexta-feira superou tudo, ao tornar-se apenas no terceiro britânico a conquistar uma medalha de ouro individual nos Jogos de Inverno e o primeiro desde 1980.
O feito foi ainda mais gratificante porque Weston ficou tão desiludido com a sua prestação em Pequim há quatro anos que esteve perto de desistir.
"Isto significa tudo", afirmou, depois de limpar as lágrimas.
"Trabalhei imenso para isto, mas todos lá em casa, a minha noiva, a família e os amigos sacrificaram-se para eu poder estar aqui. Falhei funerais, aniversários, tudo por este momento e é uma sensação incrível", assumiu.
"Quero ganhar tudo"
A sua noiva, Alex Howard-Jones – o casamento está marcado para julho – e os seus pais, Alison e Tom, estavam na bancada a assistir à conquista.
"Pelo menos nos próximos meses posso dizer que sim, este é o dia mais feliz da minha vida, depois terei de mudar a resposta", disse Weston, que ainda pode conquistar outra medalha na prova mista no domingo.
Para os seus colegas de equipa, não será surpresa que o homem a quem chamam "Capitão 110%" tenha ficado no topo.
Weston admite que tem de vencer a todo o custo.
"Quero ganhar tudo, quero ser perfecionista em tudo. Sou insuportável quando jogamos Monopólio em casa", confessou.
O triunfo de Weston é apenas mais um capítulo dourado para a Grã-Bretanha nesta modalidade.
A "bandeja de chá muito cara" já proporcionou alguns raros momentos doces à equipa britânica nos Jogos Olímpicos de Inverno – são a nação mais bem-sucedida no desporto.
A Grã-Bretanha soma quatro ouros, uma prata e cinco bronzes, o que reflete um país sem tradição nos desportos de inverno.
Oito dessas medalhas foram conquistadas neste século, justificando o grande investimento feito no skeleton.
Apesar de não terem uma pista de gelo, contam com uma pista de arranque em betão na Universidade de Bath, no sudoeste de Inglaterra, e a modalidade recebeu quase cinco milhões de libras de financiamento para estes Jogos.
Ainda assim, é preciso um tipo de personalidade muito particular para querer competir num desporto em que os atletas atingem os 90 quilómetros por hora (55 milhas por hora).
Weston, que treinou com os Royal Marines de elite quando começou no skeleton, submetendo-se a testes físicos e mentais, diz que quem não conhece a modalidade pode questionar-se sobre o que ele faz.
"Se parecer que estou ali deitado sem fazer nada, é sinal de que estou a fazer tudo bem", afirmou antes dos Jogos.
