Dezanove dias após a passagem da intempérie pelo distrito, o balanço da Associação de Futebol de Leiria (AFL) revela um cenário de paralisia no desporto regional, com mais de 70% dos clubes filiados – o que representa mais de 90 emblemas de futebol e futsal – a registarem prejuízos significativos nas suas infraestruturas.
"Os clubes estão ainda a fazer o levantamento e com alguma dificuldade em orçamentar. Em fevereiro é difícil a retoma", afirmou o presidente da AFL, Carlos Mota Carvalho, sublinhando que a direção da AFL reúne-se hoje para tentar apontar uma data para o regresso do futebol, possivelmente no início de março.
Em declarações à Agência Lusa, o dirigente explicou que o levantamento de prejuízos tem sido dificultado pela falta de energia em campos e pavilhões.
"Ainda não conseguiram fazer as avaliações porque o sistema de iluminação nos campos amadores é fundamental. E é à noite que se treina", afirmou aquele responsável, sublinhando que muitos clubes "têm medo de ligar os quadros" devido à humidade e fios rebentados, aguardando por técnicos especializados, uma das maiores dificuldades no momento.
A situação é particularmente crítica no futsal, onde ainda não é possível apontar uma data de regresso às competições, devido a danos "bastante significativos" em pavilhões nos concelhos de Leiria e Pombal, alguns dos quais ficaram "totalmente inutilizados".
Além dos danos estruturais, vários recintos municipais continuam ocupados com serviços de apoio social às populações afetadas.
Segundo o responsável, os estragos incluem quedas de árvores sobre muros, destruição de sistemas elétricos e telhados de balneários e sedes.
Embora a Federação Portuguesa de Futebol tenha disponibilizado um fundo de emergência no valor de 100 mil euros, a AFL considera o valor insuficiente face aos danos de "milhares de euros", aguardando agora pela criação de linhas de apoio governamentais.
Na sexta-feira, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, visitou o Caxarias, clube do concelho de Ourém, e prometeu apoio na recuperação dos estragos provocados pela tempestade Kristin, sem, contudo, se substituir ao Estado, tendo excluído a possibilidade de aumentar este valor.
À Lusa, Carlos Mota Carvalho antecipa obstáculos na candidatura a fundos públicos, revelando que muitas infraestruturas do associativismo regional, construídas após o 25 de Abril, carecem de licenciamentos, uma exigência que poderá impedir o acesso dos clubes aos apoios estatais.
Para viabilizar o regresso às competições, a estratégia passa por uma gestão das infraestruturas disponíveis, especialmente nas zonas menos afetadas, com recurso a partilha de recintos e a redução da carga de treinos semanal — passando, nalguns casos, de três para duas sessões — de forma a acomodar mais equipas no mesmo espaço.
“Temos algumas infraestruturas, mais para o sul do distrito, que não sofreram grandes danos e em que as pessoas estão a treinar. E nós também queremos que a verdade desportiva não seja adulterada e por isso temos de dar algum tempo para que os clubes possam primeiro começar a treinar para depois poder competir”, concluiu.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
