Miguel Santos tinha iniciado a temporada na República Checa, ao serviço da equipa masculina do Dynamo České Budějovice, do segundo escalão do futebol checo, quando recebeu uma proposta irrecusável.
Do outro lado da linha estava o Jiangsu LFC, de Nanjing, a segunda maior cidade da região leste da China, com um projeto no futebol feminino assente em resultados e no desenvolvimento de talento.
"Quando o Jiangsu me abordou, eu estava no Dínamo Ceské Budéjovice e, portanto, a iniciar a segunda fase da época. O contacto do Jiangsu foi feito de uma forma muito ambiciosa, muito direta, com uma vontade enorme de que eu viesse para cá liderar o projeto. Para além de ser um grande clube, tem um projeto muito bem definido para os próximos quatro anos. Eu assinei apenas por dois, mas o ciclo de quatro anos já está claramente estruturado", começa por explicar o treinador português, em exclusivo ao Flashscore.

"Trata-se de um projeto assente em resultados e no desenvolvimento de talento. Estamos a falar de um clube com uma academia que dispõe de oito campos relvados e três campos sintéticos. Um clube que oferece condições de excelência: a equipa feminina tem três campos à sua disposição, além de todo o material de apoio e de instalações que garantem o rendimento das jogadoras e boas condições de trabalho para a equipa técnica", prossegue.
"Fui contratado para assumir uma função que combina o papel de treinador e de manager do projeto para os próximos dois anos. Perante este cenário e as condições de trabalho que o Jiangsu me ofereceu, tornou-se impossível recusar esta proposta. Estou aqui muito feliz", completa.
"As condições são verdadeiramente extraordinárias"
Trata-se de um regresso do treinador português ao feminino, depois de passagens pelo Famalicão e pelo SC Braga nos últimos anos.
Miguel Santos faz questão de sublinhar as condições de trabalho que encontrou na China, destacando o facto de a equipa dispor de três campos exclusivos para treinos. Para o técnico luso, estas condições são fundamentais para sustentar um projeto ambicioso, focado não apenas nos resultados imediatos, mas também no crescimento individual e coletivo das atletas.
"Do ponto de vista futebolístico, chego a uma realidade que já conheci em Portugal, embora com menos condições de trabalho. Aqui, em termos de infraestruturas, as condições são verdadeiramente extraordinárias. Nunca tinha estado num projeto em que me dessem a oportunidade de acumular as funções de treinador e diretor desportivo. Neste momento, sou o manager da equipa, o que foi também um grande aliciante para mim", explica.
"Além disso, permitiram-me completar a equipa técnica com mais dois adjuntos: um preparador físico e um treinador de guarda-redes. Teremos uma equipa técnica composta por seis a sete elementos, dos quais três portugueses e três a quatro chineses", remata.
Por fim, Miguel Santos traça um retrato positivo do contexto social que encontrou em Nanjing, destacando o forte enraizamento do futebol na sociedade chinesa, e manifesta a convicção de que os próximos meses de trabalho serão altamente produtivos, tanto do ponto de vista desportivo como humano.
"Estamos numa região das mais desenvolvidas da China, com um dos PIB per capita mais elevados do país, num contexto onde o futebol é um desporto muito acarinhado, com milhões de adeptos. Estou muito contente e extremamente motivado para este novo desafio. Espero que, em dezembro - já que a época aqui decorre de janeiro a dezembro - possa olhar para trás e sentir-me satisfeito com o trabalho realizado e com tudo o que conseguimos construir no Jiangsu", defende.
