Fórmula 1: A hierarquia para o arranque de 2026 após os testes de pré-época

Mercedes e Ferrari estão a mostrar-se fortes este ano
Mercedes e Ferrari estão a mostrar-se fortes este anoJames Moy / Alamy / Profimedia

Com os testes de pré-época para a temporada de 2026 da Fórmula 1 concluídos, que equipas estão a mostrar bons sinais e quais estão em apuros?

Os testes de pré-época nunca são um indicador perfeito da hierarquia da grelha, já que algumas equipas forçam ao máximo e outras optam por esconder o jogo.

No entanto, nos tempos por volta mais rápidos, na fiabilidade dos carros e no ritmo médio das simulações de corrida, há bastantes pistas sobre como as equipas se estão a posicionar.

Naturalmente, tudo irá mudar ao longo da época, à medida que forem introduzidas evoluções, mas com base no que se viu nos testes em Barcelona e no Bahrein, é assim que provavelmente se irão posicionar na primeira corrida do ano, o Grande Prémio da Austrália.

11.º - Aston Martin

Uma das grandes questões à entrada da época de 2026 era saber se, com um carro desenhado pelo génio da F1 Adrian Newey, o veterano Fernando Alonso, de 44 anos, teria uma última oportunidade para finalmente conquistar o seu terceiro título mundial. Bem, a poucas semanas da primeira corrida, parece que já temos resposta.

Resumindo, os testes foram um autêntico desastre para a Aston Martin. Atormentados por problemas de fiabilidade, sobretudo devido ao novo motor Honda, percorreram milhares de quilómetros a menos do que todos os seus adversários, que, além disso, foram bastante mais rápidos. Como consequência dessa clara falta de quilometragem, vão chegar à primeira corrida com um carro ainda desconhecido para a equipa, equipado com um motor que nem sequer parece capaz de terminar uma prova.

Fernando Alonso mantém a confiança de que Newey lhe deu o melhor chassis da grelha, mas de pouco serve se o conjunto tiver uma unidade motriz pouco competitiva. Acredito que a Honda irá melhorar o motor o suficiente para que a combinação explosiva do design de Newey e da condução de Alonso permita à equipa subir na classificação mais à frente, mas quase de certeza que vão começar no fundo da grelha e não terminarão perto do topo.

Tal como aconteceu na sua segunda passagem pela McLaren, os sonhos de Fernando Alonso em tornar-se tricampeão do mundo parecem ter sido novamente destruídos pelo gigante japonês. Duvido que vá comprar um Honda tão cedo.

10.º - Cadillac

Sendo uma equipa totalmente nova, que só recebeu autorização total para entrar na grelha há um ano, era expectável que a Cadillac estivesse muito atrás dos rivais na sua época de estreia, mas, após algumas semanas de testes bem-sucedidos, parecem prestes a superar essas baixas expectativas.

Apesar de alguns problemas pontuais, conseguiram acumular quase 4000 km nos testes, nas mãos de Sergio Pérez e Valtteri Bottas, muito mais do que a Aston Martin e apenas algumas centenas a menos do que a Williams. Em termos de ritmo, também ficaram entre as duas, com a sua volta mais rápida no Bahrein a ser apenas um segundo mais lenta do que a da Williams e sete décimos mais rápida do que a da Aston Martin.

É provável que a época de estreia termine com a Cadillac no fundo da classificação, mas, a julgar pelos testes, está longe de ser a catástrofe que muitos antecipavam.

9.º - Williams

Face às expectativas, a Williams teve a pior pré-época de todas as equipas, exceto a Aston Martin. Demoraram mais do que desejavam a entrar em pista, falharam por completo o primeiro teste em Barcelona e, quando finalmente rodaram, não mostraram velocidade.

Pelo menos o seu monolugar revelou-se fiável, completando o quinto maior número de voltas na última sessão do Bahrein, mas o seu melhor tempo foi mais lento do que o de oito dos seus dez adversários.

Tal como a Aston Martin, vejo a Williams a subir na hierarquia, mas tudo indica que vão começar a época no fundo do pelotão intermédio, o que é uma enorme desilusão tendo em conta que lideraram esse grupo no ano passado e canalizaram o desenvolvimento quase exclusivamente para o carro de 2026.

8.º - Racing Bulls

Parece-me justo dizer que a Racing Bulls tem a dupla de pilotos mais fraca da grelha, com todo o respeito por Liam Lawson e pelo estreante Arvid Lindblad, por isso precisam mesmo de apresentar um carro competitivo se quiserem lutar regularmente pelos pontos em 2026 — e parece que conseguiram fazê-lo.

O monolugar mostrou-se difícil de guiar em alguns momentos, embora isso possa estar relacionado com o facto de ter estado nas mãos do único estreante da grelha, mas revelou-se fiável e com ritmo suficiente para lutar por um lugar na Q2 e, quem sabe, por um ou dois pontos em Melbourne.

7.º - Audi

A Cadillac recebeu, com razão, muitos elogios pelo trabalho de pré-época, mas considero que a Audi, também ela estreante, merece igual destaque, mesmo tendo herdado a estrutura da Sauber e beneficiado de anos de preparação. Afinal, como a Honda está a demonstrar, poucas tarefas são tão difíceis na Fórmula 1 como construir um motor de raiz.

A unidade motriz do construtor alemão funcionou sem grandes problemas e conseguiram encontrar um bom ritmo ao longo dos testes. Tanto nos tempos mais rápidos como nas simulações de corrida — especialmente impressionantes no último dia — estiveram ao nível da Alpine e da Haas no topo do pelotão intermédio.

Parece que vão disputar com essas duas equipas os lugares na Q3 e as posições pontuáveis nas primeiras rondas, o que é um excelente ponto de partida para um projeto tão ambicioso.

6.º - Alpine

Há uma resposta bastante clara quanto à equipa que mais evoluiu desde a época passada: a Alpine, propriedade da Renault, está prestes a passar do fundo para o topo do pelotão intermédio.

Impulsionados por um motor Mercedes, depois de a marca francesa ter optado por abandonar o desenvolvimento próprio, tiveram uma pré-época extremamente positiva, registando a volta mais rápida entre as equipas fora do grupo dos quatro da frente no Bahrein e sem problemas de fiabilidade dignos de registo.

Nas mãos de Pierre Gasly, em particular, o carro parece capaz de somar pontos importantes.

5.º - Haas

A equipa com menos recursos da grelha, e por larga margem, a Haas superou as expectativas durante grande parte da época passada e tudo indica que vai conseguir fazê-lo ainda mais no arranque desta temporada.

Nos testes de pré-época, só a Mercedes percorreu mais quilómetros, e a diferença para a Alpine no topo da luta do pelotão intermédio foi mínima.

Tal como vejo a Aston Martin e a Williams a subir, também prevejo que a Haas possa descer ao longo do ano, já que as equipas maiores deverão evoluir mais rapidamente, mas dificilmente poderiam ter desejado um início melhor.

4.º - McLaren

É aqui que as coisas se complicam, porque, de forma entusiasmante, parece haver muito pouco a separar as quatro maiores e melhores equipas da Fórmula 1. O consenso geral é que o carro da McLaren estará entre os três melhores no início da época, mas coloco os campeões em título um lugar abaixo.

Sempre pareceu provável que estivessem em ligeira desvantagem face aos rivais, por serem os únicos do grupo da frente a receber o motor de um fornecedor externo, e isso confirmou-se nos testes. Não conseguiram gerir a energia do motor Mercedes tão bem como a equipa oficial, o que lhes custou algum ritmo.

Contudo, a compreensão da unidade motriz Mercedes só irá melhorar com o tempo, e o campeão do mundo em título Lando Norris mostrou-se confortável no carro, tal como Oscar Piastri, ambos com muito tempo de pista para se adaptarem. Talvez o sinal mais encorajador seja o facto de, nas longas tiradas que ambos realizaram no Bahrein, na quinta-feira, o australiano ter sido ligeiramente mais rápido do que Max Verstappen.

Dito isto, é certo que não serão a força dominante do ano passado, pelo que Norris terá de estar ao seu melhor nível para defender o título.

3.º - Red Bull

A Red Bull saiu dos testes tão satisfeita como qualquer outra equipa, com o primeiro motor construído sem qualquer apoio da Honda a superar todas as expectativas em termos de velocidade e fiabilidade.

Nas mãos de Max Verstappen, o carro pareceu ser o melhor do pelotão na primeira semana no Bahrein, gerindo o novo sistema de energia elétrica melhor do que qualquer outro. Foi tão impressionante que a Mercedes afirmou com confiança que estava um passo à frente do resto do pelotão.

No entanto, a equipa de Verstappen perdeu algum fulgor no final dos testes. Alguns sugerem que baixaram a potência do motor para não criar demasiadas expectativas, mas parece mais provável que os principais rivais tenham simplesmente evoluído à medida que foram compreendendo melhor os seus carros e acabaram por ultrapassá-los.

Em suma, parecem chegar à Austrália com o terceiro ou quarto melhor carro, e tendo em conta o talento do neerlandês, isso pode ser suficiente para lutar pela vitória.

2.º - Ferrari

"Estes testes confirmaram que a Ferrari e a Mercedes parecem ser as equipas a bater. McLaren e Red Bull estão provavelmente muito próximas, Ferrari e Mercedes um passo à frente." Foram estas as palavras do chefe de equipa da McLaren, Andrea Stella, e é difícil discordar.

A Ferrari terminou os testes com o melhor tempo absoluto, cortesia de Charles Leclerc, e no final, tanto o monegasco como — crucialmente — Lewis Hamilton mostraram-se muito confortáveis ao volante. Com pequenas afinações e grandes inovações — a asa traseira rotativa foi o tema do paddock — conseguiram colocar o monolugar num patamar muito competitivo.

Dito isto, a Ferrari tende a mostrar mais o jogo do que os rivais nos testes, e a sua melhor simulação longa foi ligeiramente mais lenta do que a da Mercedes, tendo em conta as condições da pista.

Pela primeira vez desde 2022, a Scuderia parece pronta para ter pelo menos um piloto a lutar pelo título.

1.º - Mercedes

A Mercedes entrou em 2026 como grande favorita, após mais de um ano de rumores de que tinha decifrado os regulamentos de 2026, e embora não tenha parecido tão dominante nos testes como muitos temiam, continua a ser a principal candidata.

As Flechas de Prata percorreram mais quilómetros do que qualquer outra equipa e, como já referido, realizaram a melhor simulação longa em função das condições da pista. São, provavelmente, os dois indicadores mais relevantes dos testes de pré-época, e a equipa de Toto Wolff liderou em ambos.

Não registaram o tempo mais rápido, mas tudo indica que estavam deliberadamente a esconder o jogo, como se percebe pelo facto de não terem feito qualquer simulação de corrida completa no último teste nem utilizado os compostos de pneus mais rápidos.

Ainda falta muito campeonato, mas neste momento, parece que este título está nas mãos do piloto principal George Russell.

Equipas com mais quilómetros percorridos nos testes de pré-época: 1. Mercedes, 2. Haas, 3. Ferrari, 4. McLaren, 5. Racing Bulls, 6. Alpine, 7. Red Bull, 8. Audi, 9. Williams, 10. Aston Martin

As equipas mais rápidas no último teste do Bahrein: 1. Ferrari, 2. Mercedes, 3. McLaren, 4. Red Bull, 5. Alpine, 6. Haas, 7. Audi, 8. RB, 9. Williams, 10. Cadillac, 11. Aston Martin

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