O madrileno, presidente do sindicato dos pilotos de F1, apelou às entidades para terem "abertura de espírito" e para "ajustarem o regulamento" caso seja necessário.
- Depois da ausência nos testes em Barcelona, considera que progrediu com o seu Williams entre as duas sessões de ensaios no Bahrain?
Na semana passada, durante os primeiros ensaios, focámo-nos sobretudo em dar muitas voltas para recuperar o tempo perdido em Barcelona. O carro, em termos de fiabilidade, mostrou-se robusto e agora, nesta segunda semana, trata-se mais de tentar encontrar a direção certa em termos de afinações e de maneabilidade.
- Quais são as suas sensações ao volante do monolugar e como encara o primeiro GP da temporada, na Austrália?
Sinto-me cada vez melhor e mais confortável a cada dia que passa. É possível que na Austrália ainda cheguemos um pouco atrás dos que estiveram em Barcelona, mas graças a termos um carro fiável conseguimos reduzir essa diferença em relação ao que poderia ter sido.
- Qual é a sua opinião sobre os novos carros e o novo regulamento técnico?
Já estou há tempo suficiente na Fórmula 1 para saber que é preciso dar tempo, que normalmente quando se mudam as regras tudo parece pior, e de facto é, neste momento temos menos 'efeito solo', menos aderência, menos 'deployment' (desdobramento de energia), menos potência nas retas, a maneabilidade do motor é inferior, as mudanças de velocidade, tudo está pior, mas é preciso dar tempo aos engenheiros, à regulamentação, para que tudo melhore e se ajuste, e depois estou certo de que irá evoluir.
O mais importante é dizer à Federação Interncional Automóvel (FIA) e à Fórmula One Management que é preciso ter mente aberta, que se as calibrações de potência, o modo de ultrapassagem ou a quantidade de recuperação que temos de fazer não forem ideais para alguns circuitos e for exagerado, o que se deve fazer é ajustar e alterar.
- Teve de mudar o seu estilo de condução?
Sim, todos temos de adaptar o nosso estilo de condução, mas estamos limitados ao que o carro nos permite fazer. Muitos dizem que é menos divertido, mas é normal, porque no fim de contas se se anda mais devagar por volta, a maneabilidade é pior e há menos aderência. Acho que vai levar tempo, mas acredito que dentro de um ou dois anos os carros serão rápidos.
- Quais são os objetivos a nível individual e de equipa para esta temporada?
Creio que o objetivo pessoal é muito difícil de definir até saber exatamente onde estamos em relação às outras equipas. Assim que vir na Austrália onde está mais ou menos toda a gente, estabelecerei um objetivo pessoal. Como equipa, não é segredo que vai ser um início de temporada complicado depois dos problemas que tivemos no inverno. Vou avaliar o ano sobretudo pelo progresso que conseguirmos alcançar.
- As quatro principais equipas (McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari) parecem ter aumentado a sua superioridade, isso surpreende-o?
Esperávamos conseguir reduzir essa diferença, mas para já o que vimos foi o contrário, as equipas de topo aumentaram ainda mais a distância em relação ao resto. Isso mostra que estão no topo por alguma razão e que são as que melhor lidam com as mudanças de regulamento. Temos de aprender com isso e saber melhorar em todas as áreas onde vemos que são melhores.
