A dupla da Repsol Portugal manteve um ritmo elevado desde os primeiros quilómetros, gerindo com eficácia a velocidade, a navegação e a fiabilidade do carro, fatores determinantes num dia marcado por médias muito altas.
No final, João Ferreira sublinhou as características do dia e o foco para o que resta da corrida: “Foi uma etapa muito rápida, onde era fundamental manter a concentração do início ao fim. Conseguimos impor um bom ritmo, sem arriscar em demasia, e isso refletiu-se no resultado. Subimos ao 11.º lugar da geral e, a partir de agora, vamos encarar o Dakar dia-a-dia, com o objetivo claro de recuperar o máximo de posições possível.” João Ferreira está agora a 1.24m do Top-10.
O dia ficou ainda marcado pela primeira desistência entre as hostes portuguesas.
Pedro Pinheiro (Husqvarna), que competia nas motas, já não arrancou para a especial desta manhã devido a uma lesão sofrida na sexta etapa, no ombro esquerdo.
“Numa zona de dunas, chocou contra o carro de um espetador que seguia em sentido contrário”, explicou à agência Lusa Rui Oliveira, um dos responsáveis da equipa Old Friends.
Pedro Pinheiro, que ocupava a 49.ª posição das duas rodas, seguiu já hoje para Portugal, para realizar exames complementares, a fim de perceber a extensão da lesão sofrida.
Nas motas, o vencedor do dia foi o argentino Luciano Benavides (KTM), que bateu o espanhol Edgar Canet (KTM) por 4.47 minutos, com o francês Adrien van Beveren (Honda) em terceiro, a 4.57.
Martim Ventura (Honda) foi o melhor português, na 16.ª posição, a 19.41 do vencedor, sexto da categoria Rally 2. Bruno Santos (Husqvarna) foi 22.º.
Na geral, o australiano Daniel Sanders (KTM) mantém o comando, com 4.25 minutos de vantagem sobre o norte-americano Ricky Brabec (Honda) e 4.40 face a Luciano Benavides.
Martim Ventura é 17.º, seguido de Bruno Santos, em 18.º.
A oitava etapa do Dakar-2026 é uma das jornadas mais exigentes e completas da prova, disputada em formato de grande laço à volta de Wadi ad-Dawasir, com uma especial cronometrada de cerca de 481 km e um total aproximado de 717 km incluindo os setores de ligação.
Esta especial é a mais longa do rali até ao momento e apresenta um traçado diversificado que combina terrenos planos e rochosos com zonas de vegetação intercaladas por canyons, exigindo versatilidade técnica, precisão de navegação e resistência física ao longo de uma extensão inédita para esta edição.
O formato da etapa favorece os pilotos capazes de manter um ritmo elevado em campo aberto, enquanto se adaptam rapidamente a mudanças frequentes de direção e às transições entre diferentes tipos de superfícies. A especial de longa distância em redor do bivouac desafia tanto a capacidade de leitura exata do roadbook como a gestão do desgaste mecânico ao longo de um percurso intenso e prolongado.
