Dakar-2026: Hélder Rodrigues vê “bons pilotos” entre os portugueses mais jovens

Hélder Rodrigues em ação no Dakar
Hélder Rodrigues em ação no DakarIPA, Independent Photo Agency / Alamy / Profimedia

O português Hélder Rodrigues (Polaris), que este ano regressou ao rali Dakar de todo-o-terreno após dois anos de ausência, encontrou “bons pilotos” entre portugueses que este ano competem na 48.ª edição da prova.

Em entrevista à agência Lusa, no dia de descanso da competição, em Riade, o piloto natural de Sintra, que conta com dois pódios nas motas (terceiro em 2011 e 2012), sublinha que Portugal tem “bons pilotos” a competir neste momento.

Temos bons pilotos. Ao nível de exigência não podemos comparar com o que nós fizemos nas motas. Só, talvez, o Martim (Ventura, da Honda) estará a fazer algo parecido. Mas temos um bom grupo de pilotos que pode ganhar etapas. Eu também quero cá ficar muitos anos e ganhar muitas mais”, frisou Hélder Rodrigues, de 45 anos.

O corredor que atualmente compete na categoria dos SSV (veículos ligeiros derivados de série) vai na sua 13.ª participação no Dakar, sendo, atualmente, o português com mais vitórias em etapas - nove nas duas rodas, entre 2006 (ainda em África) e 2016 (já na América do Sul).

Depois de vários pilotos da sua geração terem dado cartas na prova, com Ruben Faria ou Paulo Gonçalves a vencerem etapas e a terminarem em lugares de pódio, a competitividade dos pilotos lusos nas duas rodas perdeu protagonistas.

Um fenómeno que Hélder Rodrigues atribui, em primeiro lugar, ao acidente que vitimou Paulo Gonçalves na edição de 2020.

A morte do Paulo influenciou bastante esse fenómeno. Mas, hoje em dia, os mais novos não querem nada com isto. Isto é muito difícil e os ‘miúdos’ não querem”, lamenta.

Atualmente, O piloto de Sintra está a desenvolver um projeto que pretende lutar pela vitória na categoria de SSV, com a Polaris e preparação do português Santag Racing.

“Este é um projeto a médio prazo. Mas terá de haver uma ajuda maior da marca para podermos lutar com as fábricas, que estão fortes e fiáveis”, avisa.

Hélder Rodrigues é um dos pilotos que já participou nas várias geografias do Dakar, desde as edições ainda em África, até 2008, passando pelas da América Latina a partir de 2009, e, agora, na Arábia Saudita, desde 2020.

Em termos de terreno, gosto muito da Arábia. Tem condições fantásticas para se fazer aqui a prova. Em termos de público, é fraco, já sabemos. Mas para a competição no terreno é muito bom”, sublinha.

Depois de uma carreira dedicada às duas rodas, onde conquistou sete títulos nacionais no enduro, modalidade em que também foi campeão mundial júnior, em que venceu a categoria das 125cc e em que foi campeão mundial de todo-o-terreno, em 2011, Hélder Rodrigues ‘transferiu-se’ para as quatro rodas.

Mas admite que ‘o bichinho’ das motas ainda mexe e em 2026 pretende regressar à competição.

Gosto muito das motas. Ainda este ano gostava de voltar a fazer o campeonato de enduro. Mas com o meu trabalho diário e este projeto tenho muito pouco tempo para treinar”, adiantou o agora empresário, que montou uma fábrica de sopas.

 Agora, depois dos problemas sofridos logo na etapa de abertura, em que ficou sem gasolina, e do atraso sofrido na sexta etapa devido à quebra do motor, espera poder entrar na luta por etapas.

Temos de atacar todos os dias. Dá para atacar na areia, mas há três anos que não faço o Dakar. Vou precisar de dois ou três dias para entrar no ritmo de areia”, antevê.

Hoje cumpre-se o dia de descanso da 48.ª edição, após seis etapas disputadas. A competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados.