- Quais são as novidades da 48.ª edição do Dakar, que começa no sábado, e quais são as suas ambições?
- Quisemos que fosse difícil como sempre, mas com equilíbrio, já que temos 5000 quilómetros de especiais, praticamente tantos na primeira semana como na segunda, com o mesmo grau de dificuldade em ambas. Portanto, apostámos mesmo no equilíbrio para tentar ter uma prova com o máximo de dificuldades possível até à linha de chegada. Eu, juntamente com todas as minhas equipas, estou aqui para tentar montar uma prova para pessoas que vêm tentar vencer, mas a especificidade é que há também muitos amadores, pessoas que vêm sonhar, que vêm viver um momento, uma aventura, uma pausa na vida. O meu objetivo é simplesmente conseguir juntar tudo isto para que possam viver esta experiência, para que vivam algo verdadeiramente único num mundo que, hoje em dia, é um pouco inquietante.
- O Dakar continua a ter o seu lugar em 2026, nomeadamente em termos de audiência?
- Estamos plenamente conscientes de que chegámos a um ponto de viragem nos diferentes desportos motorizados. Em todo o caso, fazemos tudo o que é necessário para que mantenha o seu lugar. Trabalhamos nisso com muita paixão, muita responsabilidade e também muito respeito pelos locais onde vamos, pelos países que atravessamos. Hoje, o Dakar faz tudo para conservar esse lugar o máximo de tempo possível. Trabalhamos também muito na renovação do Dakar, com categorias como a Mission Mille, que nos permitem explorar novas vias energéticas, seja hidrogénio, elétrico ou híbrido.
- A segurança continua a ser uma preocupação principal?
- Não, o Dakar aqui decorre muito bem. Não temos atualmente nenhum problema de segurança relevante. No entanto, é preciso ser cauteloso. Organizar um evento desportivo em França é, creio eu, tão perigoso como organizá-lo na Arábia Saudita. E isso obriga-nos, naturalmente, a ser prudentes quando trazemos 3.500 pessoas. E trabalhamos lado a lado com os sauditas.
- Um regresso a África é possível um dia?
Nada está excluído. O que nos vai guiar é, acima de tudo, o que for possível. O nosso evento disputa-se em zonas áridas que exigem uma imensidão. Percorremos locais onde ninguém vai e não há muitos sítios no mundo onde isso seja possível. Aqui, temos um território que nos permite criar percursos extraordinários e que se adequa totalmente ao nosso desporto. Portanto, veremos como o faremos evoluir, ainda temos três anos de contrato com a Arábia Saudita. Mas, neste momento, se não vamos a África, não é porque não queremos. É porque não podemos, devido a todos os acontecimentos que lá ocorrem. O Mali (a braços com uma grave crise de segurança, NDLR), neste momento, está nas notícias. A Mauritânia, o Senegal são países onde adoraria ir. Mas enquanto a situação geopolítica não melhorar, o Dakar, tal como qualquer outro evento mundial, não poderá aventurar-se nesses países.
