Do design dos carros à sustentabilidade: as novidades da Fórmula 1 em 2026

Fernando Alonso
Fernando AlonsoAHMAD ALSHEHAB / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

A FIA vai controlar mais do que nunca o trabalho das equipas do Grande Circo, graças ao seu novo regulamento.

Desde que se decidiu o último campeonato do mundo de Fórmula 1 há cerca de um mês, todos falam sobre o que está para chegar à categoria rainha do automobilismo em 2026, sobretudo com a entrada em vigor da nova regulamentação.

Para que não fique muito perdido quando começarem os testes de pré-época em Barcelona, que vão decorrer de 26 a 30 de janeiro, o Flashscore apresenta-lhe alguns dos pontos mais importantes que vão marcar a próxima era do Grande Circo.

Carros mais pequenos e leves

Na sua busca constante pela eficiência, a FIA procurou a redução do tamanho dos monolugares a partir de 2026. Já no próximo ano, os carros vão ser 20 centímetros mais curtos, 10 mais estreitos e 30 quilos mais leves (de 798 kg para 768).

Desta forma, também se pretende aumentar o espetáculo, já que a manobrabilidade dos veículos em circuitos apertados vai melhorar, facilitando o aumento dos ultrapassagens. Neste aspeto, foi fundamental a eliminação do complexo MGU-H, um motor elétrico que recuperava energia do calor do motor e que era a parte mais cara, pesada e difícil de fabricar da unidade motriz.

Adeus ao DRS

O DRS, sistema utilizado para ganhar velocidade nas ultrapassagens, pelo menos na sua designação, desaparece da Fórmula 1 em 2026. Isto não significa que os pilotos fiquem sem recursos para superar os seus adversários, já que chegam o Overtake mode (modo ultrapassagem), o Active Aero (aerodinâmica ativa) e o Modo Boost.

Deixa de se abrir a asa traseira para ultrapassar, passando ambos os ailerons a ter partes móveis para melhorar o comportamento em reta e em curva, conforme a preferência das estrelas da grelha. Vão chamar-se modo Z (alta carga para curvas) e modo X (baixa resistência para retas).

O Overtake Mode vai proporcionar um extra de potência elétrica em zonas específicas dos circuitos (o nível de energia vai variar consoante o traçado) e vai funcionar como o antigo DRS. O Modo Boost, por sua vez, poderá ser utilizado tanto em ataque como em defesa, em qualquer parte do circuito, funcionando como um extra de energia através do ERS.

Motores 50% elétricos

Com o objetivo de reduzir a poluição gerada pela realização dos Grandes Prémios de Fórmula 1, o novo regulamento obriga a que metade da energia seja fornecida por um motor elétrico e os restantes 50% por um motor tradicional a gasolina.

Antes, a distribuição era de 80%-20%, favorecendo a parte do combustível fóssil. Ainda assim, os monolugares vão continuar a debitar mais de 1000 cavalos de potência.

Combustível totalmente sustentável

Em linha com o ponto anterior, surge esta medida de responsabilidade ambiental. A partir de 2026, as equipas vão ter de utilizar combustível criado a partir de dióxido de carbono extraído de resíduos ou até capturado do ar.

Nicholas Tombazis, diretor de monolugares da Federação Internacional do Automóvel, deixou clara a intenção desta imposição: "o objetivo de alcançar uma pegada de carbono zero em 2030", afirmou.

Até a pintura conta

A partir de 2026 haverá uma nova exigência: pelo menos 55% da superfície visível de cima e de lado deve estar pintada ou coberta com autocolantes, sem deixar carbono exposto. Com isto pretende-se evitar que grande parte da superfície dos carros seja preta na tentativa de reduzir peso.

É importante ter em conta que, para os designers, cada grama extra adicionada pela pintura e pelos vinis representa uma perda de tempo em pista. Até um simples autocolante pode alterar o comportamento do ar e deitar por terra meses de trabalho dos engenheiros.