Fórmula 1: Diretor da Williams diz que "não é realista" pensar no título

James Vowles em Abu Dhabi, em dezembro de 2025.
James Vowles em Abu Dhabi, em dezembro de 2025.JAKUB PORZYCKI/NURPHOTO VIA AFP

A equipa britânica de Fórmula 1 Williams evoluiu, mas "não é realista" ambicionar o título em 2026 ou 2027, reconheceu esta terça-feira o seu diretor James Vowles à AFP, no início de uma nova temporada marcada por uma revisão do regulamento técnico.

Desde a sede da equipa, a cerca de cem quilómetros a noroeste de Londres, o engenheiro britânico de 46 anos afirmou estar determinado a igualar, pelo menos, o 5.º lugar dos construtores em 2025, o melhor resultado dos últimos anos.

Com os seus pilotos, o espanhol Carlos Sainz Jr. e o anglo-tailandês Alex Albon, e um motor Mercedes, Vowles mostrou-se também otimista quanto ao crescimento da F1 e aos seus 800 milhões de adeptos, segundo ele.

- Desistiu dos primeiros testes privados de pré-temporada no final de janeiro em Barcelona devido aos atrasos no novo monolugar FW48. Isso prejudica-o antes dos testes oficiais no Bahrein, em meados de fevereiro?

- Uma das decisões mais difíceis da minha carreira foi não ir a Barcelona. Mas foi a decisão certa. E, com base no excelente trabalho da Mercedes, tanto no motor como na caixa de velocidades, deposito muita esperança, é um conjunto fiável. Com seis dias de testes no Bahrein, estaremos perfeitamente preparados ao chegar a Melbourne (para o primeiro Grande Prémio a 8 de março).

- No ano passado, por esta altura, tudo girava em torno de 2026. Tinha uma perspetiva para o Campeonato do Mundo este ano. Com o contratempo de Barcelona, isso ainda se mantém?

- As decisões tomadas em 2025 foram as corretas, investindo antecipadamente na equipa (2026). Mas o que não se deve fazer é lançar o carro demasiado cedo. Teríamos um carro para Barcelona, mas não estaria competitivo. Demos um salto entre 2025 e 2026? Sem dúvida. Alguns elementos do carro são realmente impressionantes. Estamos hoje ao nível de um campeonato? Não! Mas a nossa abordagem vai permitir-nos recuperar o atraso dentro do tempo previsto. Ainda assim, (campeão do mundo em) 2027, não é realista.

- Então, onde vê a Williams? No top 3, 4 ou 5, como em 2025?

- Espera-se que 2025 seja o ponto de partida, a referência. O 5.º lugar (quinta posição na classificação dos construtores) é o patamar mínimo onde quero que estejamos e de onde devemos evoluir. Mas é exponencialmente mais difícil ser 4.º e ainda mais complicado ser 3.º, 2.º ou 1.º. O caminho para o 2.º e 1.º lugares simplesmente não está previsto para 2026. Ainda temos trabalho pela frente.

- Existe uma estratégia para tratar Sainz e Albon de forma igual?

- Vou tratar ambos os pilotos de forma igual. Isso não significa sempre de forma equitativa. Se um tiver um acidente e danificar (um monolugar), pode haver diferença de desempenho na corrida seguinte. Se um tiver uma avaria no motor e o outro não, não vamos penalizar o segundo carro. O nosso objetivo é garantir desempenho para ambos os carros, em partes iguais, durante todo o ano, porque ambos podem ajudar-nos a alcançar uma melhor posição no campeonato. O Alex e o Carlos assinaram por mais de um ano. Querem fazer parte de um projeto. Foi esse o acordo que estabeleci com eles.

- Tendo em conta a evolução da modalidade e os valores financeiros envolvidos, onde vê a Fórmula 1 daqui a cinco anos?

- A F1 vai continuar a crescer. Está muito melhor do que no ano passado, que já foi excelente. A nossa base de adeptos está a aumentar, são mais jovens. Os dados demográficos são fantásticos. 800 milhões de pares de olhos querem acompanhar o desporto. É um número impressionante que vai continuar a crescer.