Fórmula 1: FIA e fabricantes de motores chegam a compromisso para fechar polémica brecha

FIA e fabricantes de motores da F1 chegam a compromisso para fechar polémica brecha
FIA e fabricantes de motores da F1 chegam a compromisso para fechar polémica brechaStephanie Lecocq / Reuters

O órgão regulador da Fórmula 1 e os fabricantes chegaram a uma solução de compromisso para resolver uma controvérsia relacionada com os motores, que ameaçava ensombrar o início da temporada na Austrália, na próxima semana.

A Fórmula 1 está a entrar numa nova era, com as maiores alterações em décadas aos regulamentos dos motores e dos chassis.

As taxas de compressão dos motores têm sido um dos principais temas de discussão, com suspeitas de que a Mercedes terá explorado uma brecha para obter vantagem através da expansão térmica dos componentes, havendo até conversas sobre possíveis protestos após a corrida de Melbourne.

A Mercedes afirmou que qualquer alteração não terá impacto para a sua equipa.

A FIA declarou, num comunicado emitido este sábado, que as alterações aos regulamentos da Fórmula 1 para 2026 foram aprovadas por unanimidade através de uma votação eletrónica do seu Conselho Mundial do Desporto Motorizado.

"Foi feito um esforço significativo para encontrar uma solução para a questão da taxa de compressão", referiu.

"A FIA trabalhou para alcançar uma solução de compromisso que determina que a taxa de compressão será controlada tanto em condições quentes como frias a partir de 1 de junho de 2026 e, posteriormente, apenas em condições de funcionamento a partir de 2027", acrescentou o organismo.

Inicialmente, o órgão regulador tinha proposto votar sobre a conformidade "não só em condições ambiente, mas também a uma temperatura de funcionamento representativa de 130 graus Celsius" a partir de 1 de agosto. Esta data cobriria mais de metade das 24 jornadas da temporada antes de qualquer alteração ser implementada.

A Mercedes fornece os seus motores V6 a quatro das 11 equipas – os campeões McLaren, bem como a sua própria equipa de fábrica, a Williams e a Alpine, detida pela Renault.

Os restantes fabricantes são a Red Bull, Audi, Honda (Aston Martin) e Ferrari, que também fornece motores à Haas e aos estreantes Cadillac.

A taxa de compressão dos motores está limitada nos regulamentos a 16:1, medida em condições frias. Embora todos os motores cumpram esse valor, suspeita-se que a Mercedes tenha conseguido obter uma vantagem significativa ao encontrar uma forma de aumentar a taxa quando o motor está a funcionar a quente.

"Os regulamentos introduzidos para 2026 representam uma das maiores mudanças dos últimos tempos", afirmou a FIA.

"Todas as partes reconhecem que, com a introdução de alterações regulamentares tão significativas, há aprendizagens coletivas a retirar dos testes de pré-temporada e das primeiras jornadas do campeonato de 2026. A avaliação e as verificações técnicas sobre questões de gestão de energia continuam em curso", concluiu a nota oficial.

A FIA referiu ainda que foram aprovadas alterações adicionais aos regulamentos desportivos e financeiros.