Fórmula 1: Lando Norris inicia em Melbourne a defesa da sua coroa numa "nova" era

Lando Norris, atual campeão mundial de Fórmula 1
Lando Norris, atual campeão mundial de Fórmula 1ALBERTO VIMERCATI / ALBERTO VIMERCATI DPPI / DPPI VIA AFP

Uma nova era na Fórmula 1 arranca este fim de semana, com Lando Norris a começar a defesa do seu título mundial e a Cadillac a estrear-se num Grande Prémio da Austrália de prognóstico incerto, que irá testar o impacto das profundas alterações ao regulamento.

Sendo a primeira corrida do ano, o GP da Austrália costuma ser repleto de surpresas. No ano passado, por exemplo, Landro Norris, ao partir da pole position com o seu McLaren, foi o vencedor, superando por uma margem mínima Max Verstappen (Red Bull) numa prova disputada sob um autêntico dilúvio, que obrigou à entrada do safety car em várias ocasiões devido aos inúmeros acidentes registados.

Este ano, o clima não deverá ser um fator determinante, mas haverá tantas ou mais variáveis para gerir, após uma profunda reforma da regulamentação, que abrange tanto os motores como o chassis dos monolugares.

Com motores híbridos em que metade da potência é fornecida por um propulsor térmico e a outra metade por um elétrico, os pilotos terão de aprender a gerir a energia das baterias, o que levou Verstappen a apelidar os novos carros de "Fórmula E com esteroides".

 Fazer a bateria funcionar 

O britânico Norris, que conquistou o último campeonato na derradeira corrida em Abu Dhabi, garantiu na pré-época que os novos carros não são tão divertidos de conduzir.

"Grande parte da condução passa simplesmente por tentar que a bateria funcione corretamente e menos por como podes, enquanto piloto, extrair todo o potencial do carro", afirmou.

Depois acrescentou: "Continuo a divertir-me e continua a ser o trabalho que adoro fazer".

Todas estas incertezas tornam o GP da Austrália de 2026 numa das corridas que mais expectativas tem gerado nos últimos anos, ao mesmo tempo que os pilotos procuram tirar o máximo partido dos novos monolugares.

Outra novidade é o aumento da grelha, que passa de dez para onze equipas e de vinte para vinte e dois pilotos, com a entrada da Cadillac no campeonato, cujas esperanças assentam na experiente dupla de pilotos formada por Valtteri Bottas e Sergio Pérez.

Os testes de pré-época em Barcelona e no Bahrein mostraram que as quatro grandes equipas (McLaren, Ferrari, Red Bull e Mercedes) parecem estar em condições de continuar a dominar, mas também é habitual que as escuderias escondam o jogo nestes ensaios e que só em Melbourne se perceba o verdadeiro potencial de cada carro.

Além de defender o título de pilotos com Norris, a McLaren detém igualmente a coroa de construtores e o chefe da equipa, Zak Brown, está convicto de que voltarão a estar na luta, embora com cautela: "Acredito que estaremos entre os quatro grandes, mas não creio que estejamos à frente desses quatro. Vai ser uma época longa, com muito desenvolvimento".

A Mercedes chamou a atenção no Bahrein com um elevado número de voltas e tempos rápidos, o que levou a um consenso no paddock de que poderá ser a equipa a bater em Melbourne.

Sensação de velocidade 

George Russell, que volta a ter Kimi Antonelli como colega de equipa, admitiu que tem uma boa "sensação" com o carro.

"Os novos motores são rápidos e estamos a progredir dia após dia, embora tenhamos de melhorar a fiabilidade", explicou o britânico.

Apesar de Verstappen ter criticado inicialmente os novos carros, à medida que o início do Mundial se aproxima, o quatro vezes campeão do mundo tem suavizado o seu discurso: "No geral, estou muito satisfeito com o carro, não temos grandes problemas, por isso até agora tem corrido bem".

A Red Bull, que terá o jovem francês Isack Hadjar como segundo piloto, deixou de utilizar os motores Honda dos anos anteriores e desenvolveu, pela primeira vez, o seu próprio motor, em parceria com o gigante Ford.

A Ferrari parece ter deixado para trás o pesadelo do ano passado e ter corrigido o rumo, o que fez com que o ambiente na Scuderia seja agora muito mais positivo e que os seus pilotos, Charles Leclerc e Lewis Hamilton, sonhem novamente com lutar pelas vitórias.

"Pessoalmente, sinto que estou no melhor momento em que já estive há imenso tempo. É uma época entusiasmante com esta nova geração de carros", chegou a afirmar Hamilton, sete vezes campeão do Mundo.

O britânico, duas vezes vencedor em Melbourne, continua a perseguir o seu primeiro pódio com a Scuderia.