Fórmula 1 sonha em crescer ainda mais na América com a Netflix e a Apple

Foto de ilustração tirada em Londres em maio de 2025
Foto de ilustração tirada em Londres em maio de 2025HENRY NICHOLLS/AFP

Já pertencente a um grupo norte-americano e com três Grandes Prémios nos Estados Unidos, a Fórmula 1 ambiciona aumentar ainda mais o número de adeptos na América do Norte e Latina graças aos gigantes do cinema e da televisão, Netflix e Apple.

Adorada mas também alvo de algumas críticas, a série documental de sucesso "F1: Drive to Survive", que estreia esta sexta-feira a sua oitava temporada na Netflix, levou a disciplina rainha do desporto automóvel para uma nova dimensão.

Este documentário mostra todos os anos os bastidores e o que se passa fora de pista na época anterior, tendo como efeito rejuvenescido e tornado mais feminino o público do espetáculo em que a F1 se transformou, ainda que, segundo os seus críticos, por vezes ceda à dramatização e à encenação de conflitos entre pilotos e chefes de equipa.

No entanto, a entrada do gigante americano do streaming numa F1 já muito próspera provocou "mudanças sísmicas se pensarmos em onde estávamos enquanto desporto", aquando do lançamento da série em 2019, resume Liam Parker, responsável pela comunicação da Formula One (F1), filial do grupo norte-americano Liberty Media desde 2016.

Esta empresa de media, fundada em 1994 e cotada no Nasdaq de Nova Iorque, tem vindo a apostar há quase dez anos no crescimento da audiência da F1 nos Estados Unidos, país dos fãs das corridas de stock-cars da Nascar ou dos monolugares da IndyCar.

"52 milhões de adeptos"

De facto, para um dos produtores de "Drive to Survive", Tom Rogers, que também falou numa conferência de imprensa na semana passada, à margem dos testes de pré-época no Barém, "há um potencial enorme nos Estados Unidos", que contam agora com três Grandes Prémios por temporada (Miami, Texas e Las Vegas), atraindo centenas de milhares de espectadores.

Segundo Liam Parker, existem atualmente "52 milhões de adeptos de F1 nos Estados Unidos", num universo de cerca de 800 milhões de telespectadores e espectadores em todo o mundo para esta modalidade.

"Já atingimos um patamar? Penso exatamente o contrário. As pessoas acham que estamos a dois ou três degraus do topo, mas ainda estamos longe disso em termos de audiência nos Estados Unidos", afirmou.

Além disso, a Netflix vai passar a ter concorrência já esta temporada, com a Apple TV a substituir a ESPN (grupo Disney) como emissora oficial da F1 nos Estados Unidos.

Mais ainda: aproveitando o sucesso de bilheteira de "F1 O Filme" com a estrela Brad Pitt, uma nomeação para os Óscares e uma possível sequela, cinco Grandes Prémios dos 24 do calendário serão transmitidos em direto em cerca de cinquenta salas IMAX por todo o território americano.

Num período de cinco anos, o contrato entre a Apple e a F1 estará avaliado em 750 milhões de dólares, segundo estimativas de meios de comunicação americanos aquando do anúncio do acordo em outubro.

"Enorme mercado" latino-americano

"Quando falamos da Apple, falamos de um novo parceiro que acredita em nós e que tem como grande objetivo ser um agente do crescimento deste desporto nos Estados Unidos", sublinhou perante a imprensa no Barém o diretor da Fórmula 1, o italiano Stefano Domenicali.

Apesar de uma oitava temporada de "Drive to Survive" que, segundo alguns jornalistas, incluindo a AFP, que já a viram em pré-estreia esta semana, deixa um pouco a desejar, a Netflix tem ambições que vão para além dos Estados Unidos.

"Todos prevemos que o interesse pela Fórmula 1 será provavelmente impulsionado na América Latina (...) graças ao Franco" Colapinto, o piloto argentino da Alpine, previu Tom Rogers.

No paddock estão também o veterano mexicano Sergio Pérez (Cadillac) e o jovem brasileiro Gabriel Bortoleto (Audi). "A América Latina é um enorme mercado, sobretudo para a Netflix", concluiu o produtor, sem avançar números.