MotoGP: O que se pode esperar da temporada 2026?

Os pilotos de MotoGP na Malásia
Os pilotos de MotoGP na MalásiaREUTERS/Hasnoor Hussain

Este fim de semana, a MotoGP regressa para um ano de 2026 que promete ser emocionante. De Marc Márquez a Marco Bezzecchi, passando pela Ducati ou Yamaha, descubra o que pode esperar desta nova época.

Marc Márquez rumo a novos patamares

Esta é, talvez, a expectativa mais óbvia. Depois da temporada brilhante protagonizada por Marc Márquez no ano passado (11 Grandes Prémios conquistados), o espanhol está sob grande pressão. E, na verdade, não pretende abrandar este ano.

Com uma sintonia perfeita com a Ducati, Márquez até pretende prolongar o seu contrato com a equipa italiana. Assim, o campeão em título terá as melhores condições, com aquela que será provavelmente uma das melhores motos, senão mesmo a melhor, da grelha.

É certo que o piloto não teve testes tranquilos, devido às suas quedas. Ainda está a recuperar do impacto sofrido no ombro após um incidente com Marco Bezzecchi em outubro de 2025, e esteve doente na Tailândia.

No entanto, não há dúvidas de que, com o seu espírito competitivo e determinação, vai continuar a lutar pelos lugares cimeiros. Além disso, já mostrou a todos que, apesar das fragilidades, continua a ser o mais rápido.

Marco Bezzecchi e Alex Márquez na luta pelo Campeonato

Os nomes mais aguardados esta temporada, na sombra do campeão do Mundo, são o seu irmão e o piloto da Aprilia. Muito em destaque no ano passado, o espanhol perseguiu o piloto da Ducati (três vitórias) e pretende repetir o feito nos próximos meses.

Vice-campeão do mundo, o mais novo dos Márquez afirmou estar pronto para assumir o estatuto de "piloto de topo".

"Estou confiante, penso que vamos conseguir fazer uma boa época novamente", revelou nos testes de inverno. "Trabalhando arduamente com a equipa, acredito que podemos, repetir o ano passado não sei, mas pelo menos ser rápidos e consistentes", acrescentou.

Do outro lado, há outro piloto que quer a sua fatia do sucesso. Marco Bezzecchi, tal como Alex Márquez, somou três grandes vitórias no ano passado. Com uma moto diferente, pode surpreender. Além disso, já demonstrou que, pela sua experiência e competitividade, consegue realmente ameaçar as ambições dos adversários. Resta saber se conseguirá voltar a rivalizar com as Ducati.

Regresso de Jorge Martin e concorrência de Pedro Acosta

Não se pode falar dos grandes pontos de interrogação da próxima temporada sem abordar o caso de Jorge Martin. O campeão do Mundo de 2024 participou apenas em alguns Grandes Prémios devido a várias lesões sofridas ao longo da época. Dececionante, nunca conseguiu voltar ao nível que mostrou quando estava na Pramac. Mas este ano pode ser o caminho para a redenção.

Com a mesma moto de Bezzecchi e em melhor forma, o espanhol pode regressar gradualmente ao topo. Após os testes de inverno, até admitiu sentir-se "melhor do que pensava".

"O meu objetivo é construir, corrida após corrida, e tentar voltar às vitórias durante a temporada. É um processo, não é como se fosse chegar à Tailândia e começar a ganhar. Preciso de corridas e de construir confiança", revelou.

Tal como ele, Pedro Acosta continua a ser um dos pilotos que pode fazer a diferença nos circuitos. Determinado, o piloto da KTM já provou este ano ao terminar no top 5 dos testes. Mas isso não basta, e ele sabe-o. O espanhol falou em "melhor", mas sem garantir que vai rivalizar com Ducati e Aprilia.

No entanto, tudo pode mudar a qualquer momento.

"No fim, se conseguirmos boas qualifaçõess e arrancar bem, estaremos na luta. O nosso ritmo é bastante bom", admitiu. Portanto, tudo é possível.

Rookies desafiados pela adaptação

Diogo Moreira e Toprak Razgatlioglu são as novas caras deste ano de 2026. Um juntou-se à LCR Honda, o outro à Pramac Yamaha. E o mínimo que se pode dizer é que não têm medo de arriscar.

De um lado, o brasileiro quer mostrar o seu valor e evoluir gradualmente. Campeão de Moto2, precisa de confirmar o seu talento enquanto descobre o mundo da categoria principal.

Para o turco, o desafio é outro: conseguir bons resultados numa Yamaha difícil de conduzir. Além de ter de aprender a controlar uma moto de alto nível, já sentiu dificuldades nos testes. Vai ter de esforçar-se para conseguir melhores resultados.

Revolução das cilindradas está a chegar

Esta é a última temporada com motores de 1000 cc. A partir de 2027, o regulamento vai obrigar os fabricantes a passar para 850 cc. A velocidade máxima será reduzida, aumentando a segurança dos pilotos. Outras alterações, nomeadamente ao nível da aerodinâmica e do combustível, também serão implementadas.

Antes desta revolução, pilotos e equipas têm uma última oportunidade para tirar partido de máquinas mais rápidas. Por isso, as evoluções vão ser interessantes de acompanhar, tal como as informações sobre o próximo ano.

Franceses à procura de uma boa época

Será difícil para Fabio Quartararo e Johann Zarco somar muitos pontos este ano. No entanto, o piloto da Honda mostrou-se otimista antes do início da temporada.

Para ele, é preciso persistir para conseguir um bom desempenho. A moto está supostamente melhor do que no ano passado. Zarco também deverá ter aprendido com os seus erros. Sem ser brilhante na pré-época, trabalhou nesse sentido.

Para Quartararo, o pessimismo é evidente. A moto da Yamaha não tem desempenho, e o francês terminou fora do top 15 nos últimos testes. Ou seja, a temporada promete ser longa e difícil.

"Não estamos prontos", constatou ao L'Equipe, no domingo passado.

"Esperávamos melhor, mas por vezes as coisas não correm como previsto. O motor, nem vale a pena falar... Nem sequer se deve pensar no início da época, vamos encarar os primeiros meses como testes", explicou.