Óbito de Fernando Mamede: António Pinto recorda “ídolo” do patamar de Carlos Lopes

Fernando Mamede faleceu na terça-feira
Fernando Mamede faleceu na terça-feiraFPA

O ex-atleta António Pinto, recordista nacional dos 10.000 metros e da maratona, afirmou esta quarta-feira que Fernando Mamede foi “um ídolo” da dimensão de Carlos Lopes, inspirando a sua geração, e que a sua morte é “uma grande perda”.

“Para a minha geração, foi um ídolo, como o Carlos Lopes. Inspirou muitos a ir para o atletismo. Foi uma grande perda como atleta e como humano. O fundo e o meio-fundo da minha geração devem muito ao Mamede e ao Carlos Lopes. Foram duas grandes referências”, salientou, em declarações à Lusa.

O antigo fundista, atualmente com 59 anos, fixou o atual recorde nacional dos 10.000 metros em 30 de julho de 1999, com um tempo de 27.12,47 minutos, que superou os 27.13,81 minutos de Fernando Mamede, que vigoraram como recorde mundial entre 1984 e 1989 e como melhor marca europeia e nacional até 1999.

Essa corrida em Estocolmo, na mesma pista onde Fernando Mamede se consagrara recordista mundial em 02 de julho de 1984, é uma das “boas recordações” da carreira de António Pinto, que se estreou na seleção portuguesa em 1986 e ainda treinou com o “ídolo”, a quem também reconhece valia humana.

“Treinávamos juntos. Comecei muito novo, em 1986. Na altura, ainda corria o Mamede e o Lopes. Era um ser humano sem inimigos dentro do atletismo. Lá dentro, éramos todos rivais, mas cá fora éramos todos amigos. Era uma pessoa sempre pronta a ajudar”, descreveu o atleta natural de Amarante, ainda recordista nacional da maratona, com um tempo de 02:06.36 horas.

Além de deter o recorde dos 10.000 metros entre 1984 e 1989, ano que o mexicano Arturo Barrios fixar novo máximo em Berlim, com um tempo de 27.08,23 minutos, Fernando Mamede marcou ainda presença em três edições dos Jogos Olímpicos (Munique-1972, Montreal-1976 e Los Angeles-1984).

Passados mais de 40 anos, Mamede continua a ser o último atleta europeu detentor do recorde mundial dos 10.000 metros.

Sempre ao serviço do Sporting, clube em que ingressou em 1968 através do também lendário professor Mário Moniz Pereira, o alentejano bateu ainda 27 recordes nacionais e três europeus.

Especialista em provas de fundo, Mamede conquistou ainda uma medalha de bronze no Campeonato do Mundo de corta-mato de 1981, em Madrid.

De acordo com a comunicação social portuguesa, que cita fontes da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mamede terá falecido na terça-feira devido a complicações cardíacas.


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