“Recebi a notícia como uma bomba, não estava à espera. (...) Como companheiro, colega de equipa, (era) um grande homem. Treinámos durante muitos anos juntos, duas vezes por dia, todos os dias. E, realmente, para mim foi uma grande surpresa”, assumiu Domingos Castro, em declarações à agência Lusa.
Fernando Mamede, um dos maiores nomes da história do atletismo português e detentor durante cinco anos do recorde mundial dos 10.000 metros, morreu na terça-feira aos 74 anos, informou o Sporting, único clube que representou.
“Há poucos meses eu recebi um apelo de ajuda e disponibilizei a equipa médica da federação para ir à casa do Mamede, foram, fizeram o que podiam, o que deixaram fazer”, relatou o dirigente federativo.
Castro lembrou que o três vezes olímpico (Munique-1972, Montreal-1976 e Los Angeles-1984) “nunca demonstrou no seu dia-a-dia os problemas que tinha”, aludindo aos problemas de saúde mental do atleta nascido em Beja.
“Isso acontecia só nas grandes competições, porque no dia-a-dia ele era uma pessoa muito alegre, sempre bem-disposta, um grande companheiro. Por isso, quem não conhecia os problemas dele, não se apercebia daquilo que ele tinha”, acrescentou.
Apesar do recorde mundial, e de 27 recordes nacionais e três europeus, Mamede nunca conseguiu confirmar o seu potencial e talento nos grandes palcos, sendo a medalha de bronze no Mundial de corta-mato de 1981 a honrosa exceção numa carreira intermitente.
“Mamede, Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, são o máximo da nossa modalidade. Dificilmente - e oxalá que sim - haverá atletas comparáveis com eles. E daí que, para mim, o Mamede foi dos melhores do mundo de todos os tempos. Agora, imagine se ele não tivesse os problemas que ele teve onde é que poderia ter chegado ainda mais”, destacou o presidente da FPA.
Domingo Castro admitiu que foram Mamede e os três campeões olímpicos que o trouxeram para o atletismo.
“Eram os meus ídolos e, por isso, estou muito grato para o resto da minha vida a eles”, concluiu.
