Os dois clubes segundo escalão competitivo nacional (CN1) trocaram acusações, no domingo, através de comunicados nas redes sociais, em que os sadinos acusam os adeptos do clube de Arcos de Valdevez de “racismo e xenofobia” dirigidos a um elemento do seu staff e os minhotos acusam o adversário de proferir “mentiras”.
“Os motivos alegados pelo Rugby Club de Setúbal são, pura e simplesmente, mentiras. Houve um clima tenso, sem dúvida, mas não houve quaisquer insultos de teor racista”, disse Filipe Machado, diretor responsável pela equipa sénior do CRAV, em declarações à agência Lusa.
Segundo o dirigente, “há uma evidente má-fé” nas acusações da equipa setubalense, uma vez que não houve “nada que se parecesse com racismo nem com a batalha campal descrita” no comunicado dos visitantes.
“Quando o elemento em causa, a quem alegam que chamaram de ‘macaco’, é caucasiano, não tem qualquer cabimento a acusação de racismo. E, quanto a xenofobia, não vi, em nenhum momento, qualquer referência à pessoa ser estrangeira”, argumentou Filipe Machado.
O “elemento em causa” é Daniel Sebastián, treinador-adjunto do RC Setúbal, de nacionalidade argentina, que desempenhava as funções de fiscal de linha no encontro da quarta jornada da fase final do CN1, que os minhotos venceram por 22-15.
Mas, segundo o presidente e treinador dos setubalenses, João Terlim, os alegados insultos tiveram “o intuito de reforçar o elemento bastante ofensivo” da palavra “macaco” que, “há uma semana entrou no léxico geral devido aos acontecimentos no Estádio da Luz”, no encontro entre Benfica e Real Madrid, no qual Vinicius Júnior acusou Prestianni de lhe ter chamado “’mono’” (macaco, em espanhol).
“Não sei se foi pela barba dele, mas a palavra ‘macaco’ foi proferida com o intuito de ofensa, por saber-se que uma semana antes tinha havido esse episódio (na Luz). Não podemos tolerar este tipo de ofensa, independentemente de se ele respondeu para as bancadas e as pessoas não gostaram. Isto não é futebol”, disse João Terlim, em declarações à Lusa.
O responsável do RC Setúbal queixou-se, ainda, de que foi agredido pelos adeptos do clube da casa e garante estar na posse de imagens que provam o que se passou.
“Imagens da suposta invasão de campo não vão ter, porque ela, simplesmente, não aconteceu”, contestou, perentoriamente, Filipe Machado, pela parte do CRAV.
Por outro lado, João Terlim vincou que a situação “não tem nada a ver com a direção do CRAV”, à qual não tem “nada a apontar”, ao contrário do “comportamento dos adeptos”, esse sim, “de lamentar”.
No entanto, para o dirigente dos minhotos, “o CRAV é responsabilizado pelo comportamento dos seus adeptos” e está, por isso, “sujeito às consequências” de tal acusação.
“Uma associação pequena como a nossa vive da sua credibilidade e estes ataques visam a credibilidade do clube. Somos inocentes, mas isto deixa sempre o anátema da suspeita e causa-nos danos graves, pois ninguém quer patrocinar um clube racista”, apontou.
Por isso, os minhotos pretendem apresentar uma queixa por difamação.
O RC Setúbal, por sua vez, aguarda por “uma intervenção urgente” da Federação Portuguesa de Rugby e da Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), após ter comunicado os acontecimentos e enviado as imagens ao seu departamento jurídico.
