Râguebi: Dewi Lake apela ao País de Gales para usar turbulência interna como "combustível" na campanha do Seis Nações

Dewi Lake, capitão do País de Gales
Dewi Lake, capitão do País de GalesIAN MACNICOL / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

O capitão Dewi Lake afirmou esta segunda-feira que o País de Gales vai utilizar a instabilidade e a incerteza que envolvem o râguebi de clubes nacional como "combustível" para impulsionar a sua campanha no Seis Nações.

O País de Gales não vence um jogo do Seis Nações desde 2023, ano em que evitou por pouco a lanterna vermelha, graças a um triunfo por 29-17, fora, frente a uma Itália repleta de erros.

Venceram apenas dois dos últimos 23 Test Matches – ambos frente ao Japão, equipa de segundo escalão..

Entretanto, o râguebi de clubes nacional atravessa uma crise, com a Federação Galesa de Râguebi a ponderar extinguir uma das quatro equipas profissionais que competem no United Rugby Championship para poupar dinheiro.

E na antecâmara do Seis Nações, que arranca na próxima semana, a notícia de que os proprietários dos Ospreys, a Y11 Sport and Media, foram escolhidos pela Federação como preferidos para adquirir o rival Cardiff, que entrou em administração em abril de 2025, provocou ainda mais ondas de choque no râguebi galês.

"Obviamente, é uma situação difícil para todos saberem durante a semana (sobre a aquisição)", afirmou Lake aos jornalistas no lançamento do Seis Nações no Castelo de Edimburgo.

"Provavelmente até é um alívio bem-vindo" poder jogar o Seis Nações, acrescentou.

"Ter a oportunidade de entrar em campo e representar o teu país numa das melhores competições do mundo só te vai ajudar a esquecer o que se passa fora das quatro linhas. Também serve como um enorme combustível para nós. O que se passa fora do campo afeta todos no nosso grupo", assumiu.

Se o acordo com a Y11 avançar, Ospreys e Cardiff continuarão como equipas separadas, mas sob a mesma entidade proprietária.

O futuro dos Ospreys parece pouco animador, já que só têm garantias para competir até ao final da época 2026/27.

Adeptos de ambos os clubes manifestaram-se contra os planos no fim de semana.

Esta situação aumentou ainda mais a pressão sobre os jogadores galeses, que procuram pôr fim à sua série negativa de resultados – a última vitória frente a uma seleção de topo foi no Mundial 2023, quando golearam a Austrália por 40-6.

O talonador Lake, de 26 anos, que vai deixar os Ospreys para rumar ao Gloucester no final da época, afirmou que vai tentar manter o foco dos jogadores no Seis Nações.

"A única coisa com que me preocupo é garantir que, quando chegar a hora do jogo, todos estejam concentrados", disse.

"O grupo e o ambiente que construímos vão funcionar por si só, não creio que haja grandes consequências", acrescentou.

Ainda assim, o selecionador Steve Tandy afirmou que incentivou os jogadores a não esconderem as suas preocupações.

"Se tiverem algo para partilhar, em vez de ser um elefante na sala de que ninguém fala, incentivamos a que o digam", afirmou.