Análise: Como Alcaraz conquistou a Austrália e alcançou o Grand Slam de carreira

Alcaraz com o troféu de vencedor do Australian Open.
Alcaraz com o troféu de vencedor do Australian Open.Wang Shen / Xinhua News / Profimedia

Nem sempre brilhou no relvado. Além disso, em cada encontro, Carlos Alcaraz (22 anos), tal como o seu grande rival Jannik Sinner (24 anos), era o alvo mais cobiçado. Ao contrário do seu adversário italiano, conseguiu sempre encontrar o caminho para a vitória. E isso inclui a final mal iniciada frente a Novak Djokovič (38). Com o seu primeiro título no Australian Open, o sétimo da carreira, tornou-se o jogador mais jovem da história a completar o Grand Slam de carreira.

Reveja aqui os principais incidências da partida

Cada um dos torneios do Grand Slam já foi conquistado por Alcaraz por duas vezes. Até este ano, não podia dizer o mesmo do Open da Austrália. O melhor resultado eram duas presenças nos quartos de final, em 2024 e 2025. Antes do início da temporada, separou-se do mentor dos seus sucessos, o treinador Juan Carlos Ferrero. Muitos não tinham dúvidas: "Isto vai custar o título ao Carlos." Mas não foi o que aconteceu.

"Gostaria de agradecer à minha equipa. Passámos por momentos muito difíceis. Circularam várias coisas na comunicação social e era preciso abstrair-nos disso. Por isso, o meu grande obrigado à minha equipa. Foi complicado, exigente, mas conseguimos superar", afirmou o emocionado espanhol após a final, que conquista muitos adeptos pelo seu comportamento espontâneo durante os encontros.

Momentos-chave

Alcaraz – Paul 7-6, 6-4, 7-5

O duelo dos oitavos de final não começou nada bem para Alcaraz, que teve de recuperar o break do adversário e, mesmo assim, levou o primeiro set ao tie-break. No jogo decisivo, Paul podia fechar o set ao serviço com 5-4, mas foi precisamente nesse momento que surgiram os instantes do jovem espanhol. Alcaraz virou o final do set a seu favor e, no resto do encontro, o americano já não conseguiu reagir.

Alcaraz – Zverev 6-4, 7-6, 6-7, 6-7, 7-5

Alcaraz liderava por 2-0 em sets na meia-final, mas depois entrou em crise. Com 5-4 no terceiro set, pediu uma pausa médica. "Ele está com cãibras. Isto é inacreditável, não podem estar a falar a sério, como é que protegem estes dois," questionou Zverev ao supervisor do torneio. Mesmo assim, o tenista alemão conseguiu virar o momento a seu favor, forçou o quinto set e até serviu para vencer. Mas voltou a acontecer o habitual com Zverev, que mais uma vez não conseguiu fechar um grande encontro com sucesso. O mérito, no entanto, é também de Alcaraz; o último ponto, em que executou uma passada de direita, foi a prova da sua classe.

Alcaraz – Djokovič 2-6, 6-2, 6-3, 7-5

Alcaraz entrou na final como se nem estivesse presente no relvado. No primeiro set, Djokovič dominou claramente, sendo superior em todas as estatísticas. Mas a partir do segundo set, o campeão espanhol acordou e começou a mostrar porque é o número um do mundo. A verdadeira batalha de ténis desenrolou-se no quarto set, quando o tenista sérvio esteve perto de empatar o encontro, ao conseguir um break para 5-4; não aproveitou a oportunidade. Pelo contrário, foi Alcaraz que, com 6-5, conseguiu pela primeira vez quebrar o serviço no set e festejou o sétimo título de Grand Slam da carreira.

Números importantes

22 – Não havia dúvidas. Este tema tornou-se um dos mais debatidos antes da final. Conseguirá Alcaraz completar o Grand Slam de carreira como o jogador mais jovem da história? Conseguiu. Fê-lo com 22 anos e 258 dias, apagando definitivamente do topo das tabelas históricas o seu famoso compatriota Rafael Nadal.

131 – Na final do Open da Austrália, encontraram-se, entre outros, dois jogadores considerados os melhores a devolver no circuito. E os números do novo campeão confirmam-no. Alcaraz conquistou 131 pontos na resposta ao segundo serviço do adversário. Ninguém foi melhor nesta estatística.

7 – Um pouco ofuscado pelo facto de o espanhol ter alcançado o Grand Slam de carreira, está o registo de já ter somado o seu sétimo título nos torneios do Grand Slam. Com este feito, igualou a marca de outra lenda, Björn Borg, que também chegou aos sete títulos antes de celebrar o seu 23.º aniversário. O lendário sueco acrescentou "apenas" mais quatro, pois terminou a carreira duas temporadas depois, com apenas vinte e cinco anos.

Assim, mesmo após a separação de Ferrero e sob a orientação de Samuel López, Alcaraz mostrou que a pressão mediática que se gerou no final do ano passado, após o anúncio da separação, não o abalou. "Ninguém sabe o quanto trabalhámos para conquistar este troféu. Este sucesso também é vosso", afirmou Alcaraz à sua equipa.

O jogador natural de Múrcia aumentou a sua vantagem sobre o segundo classificado, Sinner, para 3 350 pontos no ranking, consolidando a posição de melhor tenista do mundo. Alcaraz tornou-se o sexto tenista na chamada era Open a vencer todos os quatro Grand Slams. Juntou-se a Rod Laver, Andre Agassi, Roger Federer, Rafael Nadal e Djokovič.

Este ano, no que diz respeito aos torneios do Grand Slam, vai defender o título em Roland Garros, onde no ano passado conseguiu uma reviravolta sensacional frente a Sinner, recuperando de 0-2 em sets e match points. Encontrou o seu grande rival também em Wimbledon, onde não conseguiu superar o italiano, que jogou de forma impecável. No entanto, vingou-se no US Open.