Alexander Zverev manteve-se sereno. Nem os adeptos, que o rodearam a pedir autógrafos, nem os mais de 30 graus sob o calor do meio-dia em Melbourne o desconcentraram. O número três do ranking mundial reservou o Court 23 durante três horas, na segunda-feira, no complexo junto ao rio Yarra – tudo para se preparar com máxima concentração para a semana decisiva no Australian Open.
Dominar a direita
Na madrugada de terça-feira (a partir das 02:30), Zverev defronta o norte-americano Learner Tien num quarto de final complicado. Este encontro deverá ser apenas mais um passo na sua perseguição ao primeiro título Major. Zverev quer atingir o seu melhor nível para um eventual duelo nas meias-finais com Carlos Alcaraz – e aí também mostrar as suas novas qualidades.

"A direita foi o golpe em que mais trabalhei durante a pausa da época: porque estava muito atrás dos outros jogadores do topo nesse aspeto", afirmou Zverev em Melbourne.
E, na primeira semana do torneio, já não se viu qualquer sinal da antiga fragilidade de Zverev.
Os problemas de Zverev com a direita eram conhecidos há anos. Então, porque está a correr melhor este ano?
"Acima de tudo, porque agora estou sem dores", explicou após a vitória nos oitavos de final frente a Francisco Cerúndolo (Argentina).
"No ano passado, não tive oportunidade de treinar muito fora dos encontros, porque não estava saudável", acrescentou.
Recorde o jogo Zverev - Cerundolo
Kerber acredita em Zverev
Zverev explicou ainda que para conseguir uma boa direita nos momentos decisivos em campo, "é preciso treiná-la vezes suficientes". Isso tem dado frutos e transmite confiança a Zverev, que no ano passado revelou várias limitações físicas.
"Quando se está saudável, jogar ténis é simplesmente mais divertido", disse.
A última vencedora de um Major da Alemanha também elogia a evolução do tenista de Hamburgo nos tempos mais recentes. E acredita que pode alcançar o feito máximo.

"Eu sei que o Sascha vai ganhar um dia. Tenho a certeza disso", afirmou Angelique Kerber, que regressou ao Melbourne Park dez anos depois do seu primeiro grande triunfo.
Calor não preocupa Zverev
Para terça-feira, estão novamente previstas temperaturas muito elevadas em Melbourne. O termómetro pode chegar aos 45 graus em alguns momentos. Mas isso não preocupa Zverev.
Em primeiro lugar, como fez questão de referir, gosta de jogar com calor. Em segundo, assim que o valor máximo for atingido na chamada "Heat Stress Scale", os organizadores vão fechar o teto e transformar a Rod Laver Arena numa sala climatizada e confortável.
Por isso, há muitos motivos para acreditar em Zverev na terça-feira, apesar do adversário estar em excelente forma, como o próprio alemão alertou.
"É um grande jogador, muito jovem. Alguém que passa um pouco despercebido", disse o tenista de 28 anos. Por isso, entra em campo com "muito respeito" pelo seu oponente.
O talentoso Tien tem feito jus ao seu nome nos últimos anos e conquistou gradualmente um lugar entre a elite mundial. Nos oitavos de final, impôs uma pesada derrota em três sets ao adversário que mais tem assustado Zverev, Daniil Medvedev.
