Apesar das queixas de muitos dos melhores jogadores do mundo, o calendário mantém-se sobrecarregado, deixando muito espaço para o drama. O ritmo incessante dos circuitos também permite que várias narrativas interessantes se desenvolvam ao longo da época.
A corrida pelo Career Grand Slam
Em 2026, três jogadores de topo estão apenas a um título de completar o Career Grand Slam.
No lado masculino, os dois astros que se destacaram do pelotão perseguidor, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, estão ambos à beira de fazer história. O espanhol terá a primeira oportunidade, já que o Open da Austrália deste mês é o único Grand Slam que ainda lhe falta conquistar.

Com seis títulos do Grand Slam já no seu palmarés (2x Roland Garros, 2x Wimbledon, 2x US Open), o espanhol já admitiu o quanto deseja vencer em Melbourne, o que o tornaria o mais jovem de sempre na Era Open a completar o Career Slam.
"Em 2026, prefiro ganhar só a Austrália do que dois Grand Slams", afirmou no final de 2025.
Curiosamente, Alcaraz nunca ultrapassou os quartos de final no Open da Austrália, por isso o bicampeão em título e rival Sinner espera que o espanhol não melhore esse registo, o que daria ao italiano a hipótese de completar o seu próprio Grand Slam ainda este ano.
Sinner já conquistou quatro títulos do Grand Slam (2x Open da Austrália, 1x Wimbledon, 1x US Open), faltando-lhe apenas Roland Garros. No ano passado, esteve muito perto de levantar o troféu em Paris, desperdiçando três pontos de encontro numa final épica frente a Alcaraz.
Já no quadro feminino, a número dois mundial Iga Swiatek está numa situação semelhante à de Alcaraz, precisando de vencer na Austrália este mês para alcançar o feito.

A polaca já soma seis títulos do Grand Slam (4x Roland Garros, 1x Wimbledon, 1x US Open) e tornar-se-ia a nona mulher da história a vencer todos os principais torneios.
No ano passado, apresentou-se em grande forma em Melbourne, antes de perder uma das melhores partidas do ano frente a Madison Keys nas meias-finais, que acabaria por conquistar o título.
O duopólio Sincaraz
O ténis masculino foi totalmente dominado por Alcaraz e Sinner em 2025, levando o desporto a novos patamares. Os dois defrontaram-se em seis finais no último ano e repartiram os últimos oito Grand Slams.
Na verdade, ninguém consegue fazer frente a qualquer um deles, e a expectativa em cada torneio é que se encontrem na final.
Isso é ainda mais evidente pelo facto de o número três mundial Alexander Zverev estar a uns impressionantes 6.300 pontos de Sinner, que é segundo, e ter apenas 5.105 pontos.

Haverá alguém capaz de intrometer-se? Que jovens talentos poderão afirmar-se no topo do ténis masculino?
Ben Shelton continua a parecer que lhe falta algo. Jack Draper foi quem esteve mais perto no ano passado, mas os seus problemas físicos persistem. Arthur Fils também está lesionado, e Holger Rune não evoluiu tanto como se esperava, agravando ainda mais a sua situação ao sofrer uma grave lesão no tendão de Aquiles no final de 2025.
João Fonseca é um talento enorme, mas ainda muito inexperiente.
E quanto aos jogadores mais experientes? Taylor Fritz tira o máximo partido do seu potencial e capacidade, mas continua longe do topo, enquanto Zverev não tem a frieza necessária para competir com os melhores.
E o maior tenista masculino de sempre?
A busca de Djokovic pelo 25.º
O que Novak Djokovic está a fazer aos 38 anos é verdadeiramente extraordinário e quase passa despercebido. O lendário sérvio chegou às meias-finais dos quatro Grand Slams em 2025 e conquistou os títulos de carreira 100 e 101 em Genebra e Atenas, respetivamente.
No entanto, encontra-se numa posição algo ingrata. É claramente superior a todos, exceto Alcaraz e Sinner, mas está a alguma distância desses dois.
Não consegue realmente ameaçar os dois primeiros do mundo, tendo perdido para ambos em três dos quatro Grand Slams de 2025. Já afirmou que não pensa retirar-se tão cedo, mas haverá forma de encurtar a diferença?
O seu corpo já não é o mesmo, enquanto Alcaraz e Sinner só vão melhorar. Mas continua a ter objetivos e vontade de vencer. Afinal, está apenas a um título do Grand Slam do 25.º, o que o colocaria à frente de Margaret Court como o jogador com mais títulos de sempre.
Talvez a sua melhor oportunidade surja se, por algum motivo, Alcaraz e Sinner forem eliminados mais cedo, permitindo-lhe aproveitar e conquistar mais um Grand Slam.
Seja como for, a fome de Djokovic continua admirável e será um dos grandes protagonistas em 2026.
Uma WTA Tour repleta de talento
Enquanto o topo do ténis masculino é uma luta a dois, a beleza do circuito feminino está na competitividade e qualidade do topo, tornando-o imprevisível e apaixonante.
Em 2025, os Grand Slams foram conquistados por quatro jogadoras diferentes (Keys - Open da Austrália, Coco Gauff - Roland Garros, Swiatek - Wimbledon, Aryna Sabalenka - US Open), enquanto Elena Rybakina venceu as Finais da WTA.
Apesar da sua consistência e de se ter afirmado como a melhor jogadora do mundo, Sabalenka mostrou-se vulnerável, perdendo em três das cinco finais referidas.
Amanda Anisimova (mais sobre ela adiante) colocou-se firmemente entre as melhores do mundo, ao lado de Sabalenka, Gauff e Swiatek. Além disso, o regresso de Rybakina à boa forma no final da época fará com que o resto do circuito WTA esteja atento.

A tetracampeã de Grand Slam Naomi Osaka voltou a mostrar sinais do seu melhor ténis, enquanto Jessica Pegula e Jasmine Paolini mantêm a sua regularidade.
Há também muito talento jovem. As adolescentes Victoria Mboko, Iva Jovic e Maya Joint tiveram temporadas de afirmação, a jovem de 18 anos Tereza Valentova foi-se destacando, e, claro, a brilhante Mirra Andreeva conquistou dois títulos WTA 1000 e tornou-se presença habitual no top-10.
A perseguição de Grand Slam de Anisimova
Anisimova foi, provavelmente, a melhor história e a jogadora mais cativante do circuito WTA em 2025. Sempre reconhecida como um talento sério e dona de um dos melhores backhands de sempre, a norte-americana fez uma pausa por motivos de saúde mental em 2023, regressando ao circuito em 2024.
Depois de recuperar o ritmo, 2025 foi um ano absolutamente brilhante. Anisimova conquistou os seus dois primeiros títulos WTA 1000 em Doha e Pequim, e chegou às finais de Wimbledon e do US Open.
Subiu ao quarto lugar do ranking mundial e parece estar muito perto de conquistar o seu primeiro título do Grand Slam.
No entanto, em ambas as finais, acusou algum nervosismo e não conseguiu atingir o seu melhor nível. A derrota por 6-0, 6-0 frente a Swiatek na final de Wimbledon foi dolorosa, mas mostrou evolução na derrota com Sabalenka em Nova Iorque.
A sua força mental também ficou bem patente. Após essa derrota com Swiatek, conseguiu vingar-se ao derrotá-la duas vezes no US Open e nas Finais da WTA, além de ter superado Sabalenka numa emocionante meia-final em Wimbledon.

O seu desenvolvimento foi um prazer de acompanhar em 2025 e, se continuar a evoluir de forma positiva, um Grand Slam parece ao seu alcance. Conseguirá conquistar um em 2026?
