“Estou sem palavras neste momento”, disse um emocionado Djoko, depois de ter derrotado o bicampeão em título e favoritíssimo Jannik Sinner, por 3-6, 6-3, 4-6, 6-4 e 6-4, em quatro horas e nove minutos, nas meias-finais.
Eram aproximadamente 02:30 em Melbourne quando o sérvio, de 38 anos, fechou o encontro frente ao número dois mundial, avançando para a 38.ª final de um torneio do Grand Slam, na qual irá procurar um 25.º título – ambos os números são um recorde.
“Parece surreal. Jogar durante quatro horas, até às duas da manhã. A qualidade do ténis foi extremamente elevada e sabia que era a única hipótese que tinha (para derrotar Sinner). Ele ganhou os últimos cinco encontros contra mim, tinha de mudar isso”, frisou o quarto classificado do ranking ATP.
Também recordista de títulos no Happy Slam (10), Djokovic mostrou hoje porque é um dos melhores desportistas de sempre, beneficiando também da ‘frescura’ proporcionada pela desistência de Jakub Mensik antes do encontro dos oitavos e de Lorenzo Musetti nos quartos de final – o italiano ganhava por 6-4, 6-3 e 1-3 quando foi forçado a abandonar devido a lesão.
Nos momentos decisivos, o campeão olímpico de singulares em Paris-2024 foi mais consistente do que Sinner, impedindo a quarta final consecutiva em ‘majors’ dos dois primeiros do ranking e reencontrando agora Carlos Alcaraz, o tenista que o derrotou na sua anterior final num ‘major’, na edição de 2024 de Wimbledon.
“Vi o Carlos depois do encontro dele e ele pediu-me desculpa por atrasar a minha meia-final. Disse-lhe ‘meu, sou velho, preciso de ir dormir cedo’”, contou o sérvio ainda no court.
Antes de Djoko ganhar a sua semifinal, o número um mundial teve de superar Alexander Zverev numa meia-final, no mínimo, dramática, que ficará inscrita na história do torneio como a mais longa – durou cinco horas e 27 minutos, sendo também o terceiro encontro mais ‘duradouro’ de sempre em Melbourne Park.
Na memória daqueles que assistiram ao ‘show’ ficará, mais do que os parciais de 6-4, 7-6 (7-5), 6-7 (3-7), 6-7 (4-7) e 7-5 com que Alcaraz se impôs ao vice-campeão da passada edição, a garra do espanhol, cujo corpo entrou em ‘falência’ entre o terceiro e quarto sets.
Aparentemente afetado por cãibras, razão pela qual os tenistas não podem ser assistidos durante os encontros, o número um mundial chamou o médico evocando uma lesão, o que motivou protestos por parte do alemão, o terceiro classificado da hierarquia ATP.
“Ele não pode ser assistido, está com cãibras. O que mais haveria de ser? Isto é absolutamente inaceitável. Estão a proteger os dois (Alcaraz e Sinner, que teve uma situação semelhante neste Open da Austrália)”, queixou-se audivelmente Zverev no court.
Certo é que o murciano recuperou e, depois de chegar a estar a perder por 5-3 no último set, acabou mesmo por tornar-se, aos 22 anos e 258 dias, no mais jovem tenista de sempre a alcançar as finais dos quatro Grand Slams.
“Estou verdadeiramente feliz por jogar a minha primeira final aqui. Era algo de que estava à procura”, assumiu o espanhol, que vai também disputar pela primeira vez o encontro decisivo de um major após separar-se de Juan Carlos Ferrero, o seu treinador de sempre.
Curiosamente, ‘Carlitos’ ultrapassou também o seu arquirrival (e amigo) Sinner como jogador mais novo a disputar quatro ou mais finais consecutivas em ‘majors’ – o italiano tinha 23 anos e 318 dias quando o conseguiu.
“(O segredo foi) Acreditar o tempo todo. Digo sempre que temos de acreditar em nós mesmos independentemente das dificuldades. (…) Esta foi uma das mais exigentes partidas da minha carreira. Já estive neste tipo de encontro antes e sabia o que tinha de fazer, pôr o meu coração no jogo”, confessou.
Talvez tenha sido mesmo essa a chave do sucesso, já que Zverev nunca tinha disputado um encontro tão longo na sua carreira. Ainda sem qualquer título do Grand Slam no currículo, o alemão de 28 anos é também o tenista com menor percentagem de vitórias contra adversários do top 10 em ‘majors’ desde que os rankings começaram a ser publicados em 1973.
Com a final masculina marcada para domingo, o ‘Happy Slam’ coroou hoje os seus primeiros vencedores, com os nacionais Olivia Gadecki e John Peers a serem a primeira dupla em 37 anos a defender com sucesso o título de pares mistos.
Os ‘convidados’ da organização impuseram-se aos franceses Kristina Mladenovic e Manuel Guinard, por 4-6, 6-3 e 10-8.
