O primeiro filho de Ruud deverá nascer no último fim de semana do Open da Austrália (31 de janeiro a 1 de fevereiro), o que pode originar o cenário, pouco provável mas único, de o norueguês de 27 anos ter de abdicar da sua quarta final de Grand Slam para regressar a casa, na Noruega.
Este sábado afirmou que, caso isso aconteça, terá conversas adicionais com Maria para decidir se regressa imediatamente a casa ou se disputa o seu primeiro título de Grand Slam, mas, caso contrário, deixará a Austrália assim que receber a chamada.
"Em qualquer momento antes (do último fim de semana) apanho o primeiro voo", garantiu Ruud ao Flashscore.
"Dei tudo o que podia a este desporto, mas há mais na vida do que apenas ténis. Aceitámos que, se ela entrar em trabalho de parto, provavelmente não conseguirei estar presente durante o processo, mas quero chegar o mais rápido possível e não quero arriscar ficar aqui a disputar jogo após jogo até estar a dois dias de distância. Essa será a decisão, e enquanto não receber a chamada e puder entrar em campo sabendo que está tudo bem em casa, vou dar tudo e ver até onde consigo ir", acrescentou.
Questionado sobre as dificuldades mentais e psicológicas de preparar-se para um Grand Slam, sabendo que pode ter de sair a qualquer momento, Ruud afirmou estar tranquilo por ter recebido a aprovação da sua companheira grávida para viajar até Melbourne.
"Falámos abertamente sobre os cenários e ela tem sido muito compreensiva e paciente, e permitiu-me vir até aqui", acrescentou.
"Tenho de lhe dar muito mérito por isso. Foi uma decisão tomada em conjunto e todos ficaram de acordo. Enquanto estiver aqui vou concentrar-me no ténis e tentarei dedicar o tempo livre fora do court à Maria. A diferença horária pesa bastante, mas as horas que tenho à noite e de manhã vou tentar dedicar à Maria. Só se consegue fazer tanto ao telefone. Disseram-lhe para ter calma, ficar em casa e não fazer grandes esforços. Espero conseguir estar presente, e se não for possível, chego um dia depois e também ficará tudo bem", explicou.
Ruud falou ainda do "orgulho" que sentiu ao disputar um encontro de exibição com o Roger Federer, de 44 anos, no torneio na sexta-feira, descrevendo o seis vezes vencedor do Open da Austrália como "tão elegante como sempre".
"Foi mesmo divertido", assumiu Ruud.
"Tive a sorte de jogar contra ele uma vez na vida, em Roland-Garros. Não bati bolas com ele desde então, e isso foi em 2019, por isso já passaram quase sete anos. Foi simplesmente divertido. Ele está tão elegante como sempre e é um ícone dentro e fora do court. Foi divertido disputar alguns pontos com ele e fez alguns bons golpes. Ambos levámos a coisa com alguma leveza, mas foi divertido para mim e para o público", concluiu.
