Open da Austrália: Impassível Elena Rybakina nunca deixou de acreditar e sagrou-se campeã

Elena Rybakina com o troféu do Open da Austrália
Elena Rybakina com o troféu do Open da AustráliaREUTERS/Hollie Adams

Elena Rybakina soube controlar melhor as emoções para ganhar hoje o Open da Austrália, festejando a conquista do seu segundo Grand Slam perante a número um do ténis mundial Aryna Sabalenka, derrotada na final pelo segundo ano seguido.

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Quinta jogadora do ranking WTA, a cazaque de 26 anos recuperou de uma desvantagem de 3-0 no terceiro set, somou cinco jogos consecutivos e fechou o encontro com um ás, celebrando com a mesma impassibilidade com que encarou as variações de ascendente da final.

É verdadeiramente o ‘Happy Slam’”, resumiu a nova campeã do primeiro ‘major’ da época, num discurso curto ainda em court.

Na reedição da final de 2023, Rybakina impôs-se a Sabalenka, duas vezes campeã em Melbourne Park (2023 e 2024) e agora ‘vice’ pelo segundo ano consecutivo, com os parciais de 6-4, 4-6 e 6-4, em duas horas e 18 minutos.

O nervosismo, comum na número um mundial em finais do Grand Slam, voltou hoje a aparecer no início da final, com a bielorrussa a ser imediatamente quebrada pela sua adversária mais frequente (este foi o 15.º duelo entre ambas, com um 8-7 para a líder do ranking).

A bielorrussa reencontrou-se a meio do set e colocou pressão em Rybakina, que no oitavo jogo teve de salvar dois ‘break-points’. ‘Ameaçada’ por uma Sabalenka em crescendo, a cazaque ainda tremeu quando serviu para fechar o parcial, mas acabou por impor-se por 6-4 no primeiro ‘set point’ de que dispôs.

O revés não desanimou a bicampeã em título do Open dos Estados Unidos, que entrou dominadora no segundo set, sem que, contudo, tal se traduzisse em resultados práticos: dispôs de três ‘breaks’ no segundo jogo, mas a quinta jogadora do ranking WTA soube anulá-los.

O equilíbrio foi-se prolongando entre as duas velhas conhecidas, que chegaram à final sem perder qualquer set, e só no 10.º jogo, perante a perspetiva de ter de segurar o seu serviço para não perder o parcial e a agressividade da número um mundial, é que Rybakina concedeu finalmente o ‘break’.

Depois de forçar o terceiro set, Sabalenka cresceu em confiança e adiantou-se para 2-0, anulando um ‘contra-break’ de forma simples para consolidar a sua vantagem.

A perder por 3-0, a campeã da edição de 2022 de Wimbledon não se deixou abalar e, depois de ouvir conselhos da sua equipa, conseguiu mesmo quebrar o serviço da primeira cabeça de série, que ‘entregou’ o quinto jogo com um erro.

Sempre impassível, Rybakina ganhou cinco jogos consecutivos e adiantou-se para 5-3, sendo visível a perda de confiança de Sabalenka, que demonstrou de novo não saber controlar as emoções nos momentos decisivos nos grandes palcos.

Com um ás, a tenista de 26 anos conquistou o seu segundo título do Grand Slam, na terceira final disputada, sendo tão contida nas celebrações como o foi em court durante o encontro.

Obrigada à minha equipa, sem vocês não seria possível. Aconteceram muitas coisas e estou contente por termos alcançado este resultado”, declarou, provavelmente numa alusão à suspensão do seu treinador, Stefano Vukov – a WTA suspendeu-o no ano passado por alegado abuso psicológico relativamente à sua jogadora, que negou ter sido maltratada.

Após o triunfo de hoje, a cazaque é já a tenista com maior percentagem de vitórias (60%) contra líderes do ranking WTA desde que este foi criado em 1975.

É também a sexta jogadora neste século a alcançar 10 vitórias consecutivas sobre adversárias do top 10 mundial, juntando-se a Justine Henin, Serena Williams, Venus Williams, Amelie Mauresmo e Iga Swiatek.

Quero dar-te os parabéns por esta incrível caminhada. É um grande feito”, elogiou Sabalenka, desejando ser mais feliz no próximo ano no ‘Happy Slam’.

Também hoje foram coroados os campeões de pares femininos e masculinos, com a belga Elise Mertens e a chinesa Shuai Zhang a mostrarem que os reencontros podem correr bem: após quase quatro anos separadas, reeditaram a sua dupla e impuseram-se à cazaque Anna Danilina e à sérvia Aleksandra Krunic, por 7-6 (7-4) e 6-4.

Para Mertens, o título - o seu terceiro no Open da Austrália, o sexto em Grand Slams e o primeiro em ‘majors’ ao lado de Zhang - valeu-lhe também a promoção ao primeiro lugar do ranking feminino de pares.

Já do lado masculino o troféu foi erguido pelo norte-americano Christian Harrison e o britânico Neal Skupski, que derrotaram os tenistas locais Jason Kubler e Marc Polmans, por 7-6 (7-4) e 6-4.