- Relativamente à época passada, ficou com um sabor agridoce da vitória na Vuelta por não a poder celebrar devido aos incidentes ocorridos?
- No início, sim. Quando entrei no carro, senti-me bastante desiludido. Não diria que estava triste, mas estava mesmo desapontado. No entanto, a celebração que tivemos no parque de estacionamento foi muito bonita, muito especial. Acho que é algo que provavelmente não voltaremos a ver no ciclismo, mas foi especial a forma como as equipas se juntaram para continuar a festejar. Para mim, pessoalmente, foi mais especial do que estar numa grande praça.
- Obviamente este ano não, já que escolheu Giro e Tour, mas pensa regressar à Vuelta no futuro?
- Sim, pode acontecer. Não posso afirmar que não voltarei. Ganhei recentemente a Vuelta e é uma das grandes, por isso dependerá de como se desenrolar o planeamento no futuro. Mas sim, claro, é uma prova à qual gostaria de regressar.
- Em 2026, aspira tornar-se o oitavo ciclista a vencer as três grandes. Os últimos a consegui-lo foram Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome. Qual é a sua opinião sobre eles?
- Penso que são grandes campeões. Quando vejo tudo o que conquistaram, penso que para mim também seria um sonho alcançar o mesmo, ou seja, vencer as três grandes voltas como eles fizeram. É um feito incrível, algo que espero conseguir também no futuro.
- Quem era o seu ídolo de infância?
- Sem dúvida, o Contador era o meu grande ídolo e adorava vê-lo, sobretudo a forma como escalava. Não tinha receio de falhar nem de atacar e depois ficar para trás. Por isso, sim, gostava muito de ver como escalava e de como via o ciclismo.

"Pogacar vai conquistar o triplete mais cedo ou mais tarde"
Vingegaard respondeu também a perguntas de outros meios internacionais. O dinamarquês referiu-se à possibilidade de alcançar o triplete. "Acredito que todos sabemos que o Tadej (Pogacar) vai consegui-lo mais cedo ou mais tarde. Mas não se trata de ser o primeiro desta geração, trata-se mais de conseguir vencer as três grandes. E, obviamente, agora tenho 29 anos e não é como se me restassem dez anos de carreira, por isso preciso de tentar enquanto estou no meu melhor momento. Portanto, agora é a altura de arriscar".
Vingegaard repetiu várias vezes a palavra motivação, referindo-se ao desafio que representa para si correr Giro e Tour em 2026. "Acho que este programa, competir em Itália e França, consegue motivar-me ainda mais. Não digo que não estivesse motivado noutros anos, mas sinto uma energia renovada. E essa motivação acompanha-me desde que comecei a treinar após as férias, mesmo sem o programa estar definido, mas desde então estava muito motivado para este ano".
Questionado sobre a razão para disputar Giro e Tour, destaca que em 2023 teve excelentes sensações quando veio para Espanha depois da ronda francesa e acredita que esse sentimento pode repetir-se. "Penso que já tinha isso em mente na altura, porque em 2023 fiz o Tour e a Vuelta. E, claro, terminei em segundo na Vuelta, mas percebi que continuava num nível talvez até melhor do que no Tour. Por isso, isso também me fez pensar que poderia ser possível fazer Giro e Tour".
Mais uma semana de descanso
Quanto às diferenças entre fazer Tour e Vuelta e Giro e Tour, destaca o descanso: "É difícil dizer porque nunca disputei o Giro. Pode acontecer ter azar e apanhar mau tempo durante três semanas no Giro. Não espero que seja assim, mas essas circunstâncias podem surgir. Por outro lado, depois do Giro, tens mais uma semana de descanso antes do Tour. Ou seja, há cinco semanas livres entre uma prova e outra. Normalmente, entre o Tour e a Vuelta há apenas quatro. Portanto, sim, pode haver um pouco mais de tempo".
Por outro lado, lamentou a retirada de Simon Yates. "É uma grande ausência para nós, infelizmente. Ia desempenhar um papel determinante no Tour. Mas respeito muito a sua decisão, pois não surgiu do nada. Deixa o ciclismo porque perdeu a motivação".
