Este sábado, o Famalicão divulgou um vídeo onde detalha todo o processo de recuperação de Óscar Aranda, num conteúdo que contou ainda com a participação do diretor clínico do clube, Eduardo Filipe, do treinador Hugo Oliveira e ainda de André Ferreira, membro do departamento de performance.
"Lembro-me que foi ao minuto 44 da 1.ª parte. Uma bola que saiu para cima, meti a perna para proteger a bola e o defesa caiu-me em cima. Senti algo estranho no joelho. Foi perto do intervalo... Mas são coisas que acontecem", disse Óscar Aranda, que esteve oito meses a recuperar.
"Para mim o mundo não caiu. Caiu para a minha mulher, para o meu pai. Eu sentia que tinha que estar forte nesse momento. A recuperação ia ser longa e tinha que ter a cabeça fria, ser paciente comigo. Depois da operação sabia que ia estar seis semanas com canadianas, sem pousar o pé. Foi o processo mais duro. Houve fases de maior tristeza e frustração. Vinha de uma boa época e fiquei muito tempo sem poder pisar o relvado", confidenciou o extremo espanhol, que foi acompanhado de perto por André Ferreira, membro do departamento de performance do Famalicão.
"Nas primeiras semanas antes da cirurgia era engraçado. Ele dizia que ia ser a melhor recuperação que o Famalicão teve. Encarou de forma positiva, era muito positivo. Aquelas seis semanas sem pousar o pé foram duras, é o momento em que se questiona tudo. É frustrante, condiciona o dia-a-dia por completo e foi aí que acho que bateu mais o choque. Começa-se algo motivado, depois sente-se que está a ir abaixo. Temos que criar coisas diferentes para ele, para ele sentir que tem mão no processo", referiu André Ferreira.

"Havia alturas em que ele se sentia mais cansado de ter sempre aquela rotina. Houve uma fase em que fazia treino comigo de manhã, fisioterapia e treinava de manhã. Aí sente-se o corpo a ficar cansado e levanta-se questões. Mas temos um grupo muito unido e, nessas alturas, muitas vezes os jogadores chegavam ao ginásio e puxavam por ele, tentavam trazê-lo para cima", acrescentou.
Depois dos primeiros meses, Óscar Aranda cumpriu a última etapa, o treino com bola: "Com bola no pé tive que lhe meter um travão, às vezes. Era a praia dele, era o que ele queria. A primeira vez que fomos ao campo com bola ele pediu-me para filmar para mostrar à família, que iam ficar felizes."
Do lado do treinador, Hugo Oliveira detalhou também o processo.
"O momento da lesão foi vivido com tristeza, tristeza de perdermos um dos nossos devido a saúde. Perceber que um atleta, um homem, profissional de futebol, que vinha de uma época fantástica, capital no nosso projeto, naquele momento, onde tudo nasce, na pré-época, caiu daquela forma e ia ficar lesionado durante muito tempo deixou-nos muito tristes. Foi muita tristeza, dúvida em relação à relação do atleta, mas depois transformou-se tristeza em energia. Energia para o ajudar, para o trazer mais para nós e para ele se tornar mais forte. Fizemos do Oscar alguém mais próximo e ele sempre dedicado em ajudar o grupo, com experiência, visão do jogo, sensibilidade. É chato, é muito tempo no ginásio, não pode pisar o relvado, não se pode correr. Transformou-se tristeza em alegria. Foi uma época dura para ele, difícil, mas foram os alicerces para o futuro dele", disse Hugo Oliveira.

