Em comunicado, a FAP assumiu que, “enquanto detentora do estatuto de utilidade pública desportiva, detém os poderes normativo, disciplinar e de supervisão da modalidade”, pelo que, face aos incidentes verificados no pavilhão Dragão Arena, no sábado, “participou as ocorrências ao Conselho de Disciplina, que, entretanto, deliberou ontem a instauração de processo de inquérito”.
Desta forma, a FAP defendeu que “ao clube promotor incumbe garantir todas as condições de segurança no recinto”, sendo, neste caso, o FC Porto “responsável pelos incidentes eventualmente ocorridos no recinto desportivo, incluindo as cabines”.
“As eventuais responsabilidades de outra natureza, que estejam associadas às ocorrências verificadas, nomeadamente de nível criminal e ou contraordenacional, não cabem na esfera de competências da FAP”, assinalou o organismo.
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, esteve hoje reunida com o presidente da FPA, Miguel Laranjeiro, mas também com Frederico Varandas e André Villas-Boas, líderes de Sporting e FC Porto, respetivamente.
No final da audiência, Miguel Laranjeiro disse não acreditar “que houvesse tantos jornalistas e tantas câmaras de televisão se este caso fosse apenas relacionado com o andebol”, tendo ainda mostrado disponibilidade para ser um eventual “mediador” nas relações entre os dois clubes: “Se não houver mais ninguém, cá estarei”.
O Sporting acusou o FC Porto de “práticas obscuras”, após elementos da equipa de andebol verde e branca terem recebido assistência médica no sábado, no Dragão Arena, no Porto, antes da vitória dos bicampeões nacionais sobre o FC Porto (30-33), no arranque da segunda fase do campeonato.
O jogo iniciou-se com cerca de 15 minutos de atraso, depois de a equipa visitante se ter queixado de um odor intenso no seu balneário, que levou o treinador Ricardo Costa e o jogador congolês Christian Moga a serem assistidos no local.
O FC Porto desmentiu a situação e considerou, ainda no sábado, como “graves e abusivas” as acusações dos leões, referindo ter contactado a PSP para verificação das condições no pavilhão do clube azul e branco.
Na terça-feira, o Ministério Público (MP) abriu um inquérito aos incidentes, já depois de a direção da FAP ter efetuado uma participação ao Conselho de Disciplina do organismo para o apuramento de responsabilidades disciplinares.
Além dos incidentes relatados pelo Sporting, o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, acusou o jogador leonino Martim Costa de ter agredido um adepto dos dragões ainda no período de aquecimento para o jogo.
