O procurador Patricio Ferrari pediu penas de 12 anos de prisão para o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque; 10 anos para a coordenadora da empresa de medicina privada, Nancy Forlini; e oito para a sua psiquiatra, Agustina Cosachov.
Além disso, pediu uma inibição profissional de 10 anos para os três.
Os três foram acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura jurídica que implica que tinham consciência de que as suas ações ou omissões podiam conduzir à morte do futebolista.
"Tendo previsto o risco e aceitando-o, produziram o resultado com indiferença", afirmou Ferrari, no início, esta quinta-feira, da fase de alegações finais do julgamento, que se prolonga há sete meses na cidade de San Isidro, a norte de Buenos Aires.
Outros três elementos da equipa médica - um psicólogo, um enfermeiro e o seu coordenador - foram acusados de homicídio por negligência (não intencional).
O procurador pediu penas de cinco anos de prisão para o psicólogo e de quatro anos para os outros dois acusados.
O procurador afirmou que, no caso deles, o julgamento não provou indiferença, mas sim um "conjunto de ações negligentes e imprudentes".
Ferrari absteve-se de pedir a detenção imediata dos acusados caso sejam considerados culpados, mas solicitou que não lhes seja permitido sair do país.
O Ministério Público decidiu não apresentar acusações contra um sétimo arguido, o médico de clínica geral Pedro Di Spagna. "Não consigo acreditar, ainda não caí em mim", exclamou Di Spagna aos jornalistas depois de ouvir o pedido de absolvição por parte do Ministério Público.
Morte "evitável"
Os procuradores exibiram mais uma vez as fotografias de Maradona já falecido. As suas filhas Dalma, Gianinna e Jana, presentes na sala, irromperam em lágrimas.
"A morte era evitável e a assistência médica foi inadequada", afirmou o outro procurador do processo, Cosme Iribarren.
Maradona morreu aos 60 anos, a 25 de novembro de 2020, devido a um edema pulmonar e a uma paragem cardiorrespiratória durante um internamento domiciliário em Tigre, perto de Buenos Aires.
A lenda recuperava ali de uma cirurgia bem-sucedida para tratar um hematoma subdural na cabeça, a que foi submetido a 3 de novembro desse ano.
"À sua sorte"
Segundo Ferrari, os elementos da equipa médica "infringiram os deveres a seu cargo, executaram ações contrárias à arte de curar, omitiram todos os atos que deviam executar e colocaram Maradona numa situação de desamparo, abandonando-o à sua sorte".
"Existiu um grupo de improvisados que se esqueceu a todo o momento de que estava a tratar um paciente vulnerável e complexo", afirmou Ferrari.
Fernando Burlando, advogado de duas das filhas de Maradona, afirmou aos jornalistas à porta do tribunal que as alegações dos procuradores tinham sido "brilhantes".
Os acusados proclamam-se inocentes. Após as alegações, o advogado da psiquiatra Cosachov considerou que "não está provado o dolo eventual" no caso da sua cliente. "É um ponto fraco das alegações do Ministério Público", afirmou à AFP o advogado de defesa Vadim Mischanchuk.
Após quase 45 audiências e mais de 100 depoimentos entre testemunhas e arguidos, "o núcleo histórico da acusação manteve-se intacto", segundo o procurador.
O julgamento entrou esta quinta-feira na reta final, com o início das alegações do Ministério Público e das partes civis, que se prevê que durem duas semanas.
