Associações instam COI a abandonar planos para instaurar testes de género

Associações instam COI a abandonar planos para instaurar testes de género
Associações instam COI a abandonar planos para instaurar testes de géneroPIERO CRUCIATTI / AFP

Mais de 80 associações de defesa dos direitos humanos instaram esta terça-feira o Comité Olímpico Internacional a abandonar os alegados planos para implementar “testes genéticos de determinação do sexo” e proibir a participação de atletas transgénero nas provas femininas.

Num comunicado publicado no site da Sport & Rights Alliance, estas associações denunciam que “múltiplas fontes reportaram que o opaco ‘Grupo de trabalho para a proteção da categoria feminina recomendou ao COI a implementação de testes genéticos universais de determinação do sexo de todas as mulheres e jovens atletas e a proibição total de atletas transgénero e intersexo”.

Tal constituiria um assombroso retrocesso na igualdade de género e um recuo de 30 anos no desporto feminino”, consideram.

A nota recorda que, após os Jogos Olímpicos Atlanta-1996, o COI votou a favor da suspensão dos testes de determinação do sexo por considerá-los científica e eticamente injustificáveis.

As associações subscritoras do manifesto instam o organismo olímpico a reverter “imediatamente” os planos para realizar estes testes e para proibir a participação das mulheres “com base no seu estado cromossómico” e a cumprir os compromissos inscritos na Carta Olímpica de modo a garantir que todas as pessoas tenham acesso “à prática desportiva sem discriminação”.

Em maio passado, a World Boxing foi a primeira federação olímpica a anunciar que iria tornar obrigatórios os “testes de género” para a participação nas suas competições, excluindo a campeã olímpica Imane Khelif da categoria feminina até realizá-los.

A lutadora argelina sagrou-se campeã olímpica da categoria -66 kg em Paris-2024, vencendo na final a chinesa Yang Liu, após ter estado no centro de uma polémica em torno do seu género.

Durante os Jogos Olímpicos, Khelif foi alvo de campanhas de desinformação, críticas e aquilo que denominou de bullying, depois de a Associação Internacional de Boxe, afastada do movimento olímpico, ter revelado ter testes, nunca divulgados, que comprovam que é um homem.