Se o mês de abril ficou marcado pelos grandes maratonas de estrada, com a simbólica barreira das duas horas derrubada em Londres pelo queniano Sabastian Sawe, maio assinala o regresso da pista com os primeiros grandes meetings internacionais.
A primeira etapa do circuito da Liga de Diamante, inicialmente prevista para 8 de maio em Doha, foi adiada devido à guerra no Médio Oriente e será finalmente em Xangai, no sábado, que a temporada começa verdadeiramente.
No ano passado, os organizadores chineses tiveram dificuldades em apresentar um bom cartaz, já que sofreram a concorrência direta do Grand Slam Track, que organizava nesse mesmo fim de semana uma das suas etapas na Florida.
Mas o novo circuito lançado por Michael Johnson, que ambicionava modernizar o atletismo com um formato inédito de competições, acabou por colapsar ao fim de alguns meses e os atletas regressaram, de bom grado ou contrariados, à tradicional Liga de Diamante.
São esperados duelos muito interessantes na velocidade no sábado, com a presença nos 200 m das grandes estrelas do sprint Shericka Jackson, Sha'Carri Richardson e Shaunae Miller-Uibo.
O plantel também é de alto nível nos 100 m barreiras, com a campeã do mundo suíça Ditaji Kambundji, a campeã olímpica Masai Russell e a recordista mundial Tobi Amusan.
Nos 300 m barreiras, o norueguês Karsten Warholm terá de correr muito perto do seu recorde (32,67) para o manter face à ameaça do brasileiro Alison dos Santos e do norte-americano Trevor Bassitt.
Reencontro com Karalis
A rainha do meio-fundo Faith Kipyegon também está anunciada nos 5.000 m, mas a grande figura do meeting deverá continuar a ser o saltador sueco Mondo Duplantis, provavelmente o único atleta atualmente capaz de encher um estádio sozinho, com milhares de espectadores à espera que volte a bater o recorde mundial.
O sueco vai reencontrar-se, na sua estreia da temporada ao ar livre, com o seu grande rival deste inverno, o grego Emmanouil Karalis.
"Há sempre um pouco mais de pressão quando se trata da primeira competição do ano, isso acrescenta algo", afirmou Duplantis na sexta-feira em conferência de imprensa.
"Tenho a sensação de que estou bem, mas veremos amanhã se é mesmo assim. Em todo o caso, estou com muita vontade de saltar alto", acrescentou.
Duplantis elevou o seu recorde do mundo para 6,31 m em março na Suécia, mas o referido Emmanouil voou até aos 6,17 m na Grécia em fevereiro e levou o sueco ao limite em março durante o Mundial em pista coberta, obrigando-o a saltar muito mais do que o habitual para garantir a vitória.
Esta temporada não conta com nenhum grande campeonato (Jogos Olímpicos ou Mundial), mas o verão terminará em setembro com os Ultimate Games em Budapeste, um novo campeonato criado pela Federação Internacional de Atletismo.
