Atletismo: Poucos recordes nacionais valem qualificação para Mundiais Pequim-2027

Portugal já assegurou vagas nas estafetas 4x100 femininas e mistas e 4x400 masculinos
Portugal já assegurou vagas nas estafetas 4x100 femininas e mistas e 4x400 masculinosFederação Portuguesa de Atletismo

A World Athletics (WA) revelou as marcas de qualificação para os Mundiais de atletismo de 2027, a disputar em Pequim, onde nem todos os recordistas nacionais chegariam com as suas melhores marcas, tal a sua exigência.

Portugal conseguiria o pleno com os recordes nacionais no salto em comprimento, no triplo salto e nos lançamentos do peso e do disco, assim como nos 1.500 metros, enquanto nos 100 e nos 200 metros apenas nos homens, com os estratosféricos resultados de Francis Obikwelu, e nos 10.000 femininos, graças a Fernanda Ribeiro.

Os 9,86 e 20,01 segundos obtidos pelo velocista português em 2004 e 2006 ainda são marcas de referência, ambas abaixo das marcas de qualificação direta para Pequim2028, fixadas pela WA em 9,95 – pela primeira vez abaixo dos 10 segundos – e 20,07.

Nos 1.500 metros, o campeão do mundo Isaac Nader, com os 3.29,37 minutos, no ano passado, e os 03.57,71 de Carla Sacramento, que remontam a 1998, assegurariam uma vaga na 21.ª edição dos Mundiais ao ar livre, com os mínimos em 03.30,00 e 03.58,00, respetivamente.

Pedro Pablo Pichardo, que conquistou o segundo título mundial no ano passado, também detém um recorde nacional melhor do que a marca de qualificação no triplo salto (17,35 metros), com 18,04, tal como Patrícia Mamona (14,40), graças aos 15,01 que lhe valeram a medalha de prata olímpica em Tóquio-2020.

Situação idêntica ocorre no comprimento, com os saltos de Naide Gomes de 7,12 metros, em 2008, a superiorizarem-se aos 6,86 exigidos para Pequim-2027, tal como os voos deste ano de Agate de Sousa que, apesar de não ser recorde, lhe valeu o título mundial indoor em março (6,92, um mês depois de ter conseguido 6,97), assim como o máximo nacional de 8,46 batido por Gerson Baldé, também para chegar ao ouro em Torun-2026, relativamente aos 8,25.

Também os recordes nacionais dos lançamentos do peso e do disco valiam apuramento para os Mundiais, graças aos 20,43 de Auriol Dongmo e aos 21,56 de Tsanko Arnaudov, ambos acima dos 19,30 e 21,50 estipulados, assim como os arremessos de Irina Rodrigues, a 66,60, e de Emanuel Sousa, a 67,51, superiores aos mínimos de 64,50 e 67,20.

Fernanda Ribeiro também asseguraria uma vaga nos 10.000 metros, com os 30.22,88 minutos com que se sagrou campeã olímpica em Sydney-2000 - abaixo dos 30.40,00 -, mas ficaria aquém nos 5.000, por 45 centésimos, uma vez que a marca de qualificação é de 14.36,00, um pouco menos, mesmo assim, do que os nove segundos de diferença das 02:23.29 horas do recorde nacional da maratona, de Rosa Mota, alcançado em 1985.

Os mínimos e o sistema de apuramento foram aprovados pelo Conselho da WA, na terça-feira, mantendo a qualificação mista, com o objetivo de alocar 60% das vagas através do ranking, a via mais provável para os atletas portugueses, e 40% através das marcas.

É destas 40 marcas exigidas, que foram reveladas na terça-feira pela WA, cujos recordes portugueses apenas superam em cinco disciplinas (1.500, comprimento, triplo, peso e disco, em ambos os sexos) e na velocidade no masculino.

As marcas de qualificação vão poder ser obtidas entre 23 de agosto deste ano – à exceção dos 10.000 metros, das estafetas, da marcha e das provas combinadas, cujo período arranca em 23 de fevereiro – e 22 de agosto de 2027, com os resultados da maratona a contarem desde 03 de novembro – e até 02 de maio do próximo ano.

Portugal já assegurou vagas nas estafetas 4x100 femininas e mistas e 4x400 masculinos, nos recentes Mundiais disputados em Gaborone, sendo que a WA garante ainda‘wild cards para os atuais campeões do mundo e vencedores de outras das próximas principais provas, caso falhem os critérios de apuramento.


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