Mundiais de Atletismo: Ex-recordista Carlos Calado rendido a Gerson Baldé

Carlos Calado, recordista nacional de 1996 e 2026
Carlos Calado, recordista nacional de 1996 e 2026Profimedia

O ex-atleta Carlos Calado congratulou esta segunda-feira Gerson Baldé, seu sucessor como recordista português do salto em comprimento, pelo título mundial em pista curta conquistado no domingo, com os 8,46 metros do novo máximo nacional.

Não o conhecia, mas há cerca de um mês e meio fui ver uma competição a Pombal, estive com ele e correspondeu às minhas expectativas. Nesse dia, disse que este ano seria o último em que eu detinha o recorde, porque era uma questão de timing até o Gerson quebrá-lo, devido às suas qualidades naturais e ao talento que o treino conseguiu desenvolver”, vincou à agência Lusa Carlos Calado, recordista nacional de 1996 e 2026.

Gerson Baldé, de 26 anos, assegurou a medalha de ouro no concurso do salto em comprimento dos Campeonatos do Mundo indoor Torun-2026, na Polónia, ao fazer a melhor marca mundial do ano na sexta e última tentativa, superando o italiano Mattia Furlani, vencedor em Nanjing-2025, com 8,39 metros, e o búlgaro Bozhidar Sarâboyukov, com 8,31.

Ele fez um concurso extremamente regular e, antes do último salto, tinha o quinto lugar garantido. O que é que perdia se arriscasse? As coisas correram bem e fiquei extremamente contente, porque foi o reviver da emoção que eu tive há 25 anos”, contou, em alusão aos bronzes obtidos em 2001, em Lisboa, em pista coberta, e em Edmonton, no Canadá, ao ar livre.

Carlos Calado, de 50 anos, valoriza o papel do treinador de Gerson Baldé, José Barros, e encara-o como essencial para redimensionar o atletismo português, a par de Miguel Lucas, um dos técnicos na carreira do ex-olímpico.

Ao juntar as escolas russa e norte-americana, acabava por treinar muito com halteres, saltos e velocidade. Podiam treinar tanto como eu, mais não conseguiam. Agora, as coisas são mais técnicas e focadas. Houve evolução, que leva tempo, pois temos de ter matéria-prima e atletas com capacidade para aguentar aquele volume de treino. Foram mais de 20 anos de travessia do deserto para chegar à perfeição e sermos campeões do mundo”, avaliou.

Ao contrário de Gerson Baldé, dividido entre o salto em comprimento e o salto em altura, Carlos Calado fez carreira nas disciplinas técnicas e na velocidade e chegou também a ser recordista luso dos 100 metros e do triplo salto.

As adversidades que senti na minha altura estão esbatidas pela existência de ginásios, pistas cobertas para treinar e competições regulares. É a evolução normal de quem quer pôr um país a ser competitivo e a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) tem lutado por isso. No inverno, ter pistas curtas é essencial para se obter resultados”, notou o autor da primeira medalha de ouro nacional em Mundiais no salto em comprimento.

Carlos Calado perspetiva, pelo menos, dois ciclos olímpicos na carreira do atleta do Sporting, recordista português desde fevereiro, quando fez 8,32 metros nos Nacionais de clubes, acima dos 8,22 alcançados pelo antecessor em 2002.

Tem mais 20 centímetros do que eu (risos). Depois, é um saltador nato pela forma como caminha e mostra determinação. Já tem uma grande bagagem competitiva, está bem acompanhado, é um rapaz tranquilo e sabe bem o que pretende. Por isso, acho que tudo bom lhe vai acontecer”, afiançou.

Portugal conquistou pela primeira vez três medalhas numa edição dos Mundiais em pista curta, com os ouros de Gerson Baldé e Agate de Sousa, ambos no salto em comprimento, e a prata de Isaac Nader, nos 1.500 metros, chegando aos 20 pódios e sete títulos no seu historial na prova.