Mundiais de Atletismo: Gerson Baldé foi descontraído para o ouro porque ia correr bem

Gerson Baldé arrecadou medalha de ouro nos Mundiais de atletismo em pista curta
Gerson Baldé arrecadou medalha de ouro nos Mundiais de atletismo em pista curtaREUTERS/Aleksandra Szmigiel

O português Gerson Baldé afirmou este domingo sentir-se descontraído na final do salto em comprimento dos Mundiais de atletismo em pista curta, em Torun, na Polónia, por saber que ia correr bem

O atleta do Sporting, natural de Albufeira, de 26 anos, conquistou a medalha de ouro com os 8,46 metros do sexto e último salto, decidindo uma final em que esteve praticamente sempre arredado do pódio, com os 8,17 do primeiro ensaio e os 8,19 da quinta tentativa,

O italiano Mattia Furlani e do búlgaro Bozhidar Sarâboyukov, os dois concorrentes que o precediam no ranking anual, foram tomando conta da disputa, com 8,39 do italiano, campeão em título e vice em 2024, e os 8,31 do campeão da Europa em Apeldoorn 2025.

“Tive de ter calma no último salto, o meu treinador disse sempre que eu tenho de ter muita calma, para ir descontraído, e que tudo ia correr bem. Claro que tenho tendência a ficar ansioso, mas respirei fundo e fazer o que tinha de fazer”, recordou o saltador, na zona mista.

Além da tranquilidade conferida pelo seu novo treinador, o antigo Diretor Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo José Barros, o agora atleta do Sporting, clube ao qual regressou após seis anos no Benfica, reconheceu que a terceira melhor marca do ano à partida também lhe deu confiança para abordar os Mundiais.

“O ranking acaba por nos dar confiança, mas partimos todos do zero e temos de saltar para mostrar o que valemos”, referiu, após confirmar com o ouro o domínio luso no salto em comprimento, horas depois da vitória de Agate Sousa na final feminina.

Baldé tinha como melhor resultado em finais de grandes competições o quarto lugar em Apeldoorn 2025, já depois de ter feito três nulos na decisão dos Europeus ao ar livre Roma 2024.

“O professor deixou-me mesmo muito calmo. Gostei do que ele me passou. Foram poucas palavras e, basicamente, para eu fazer na final o que treinámos. Eu também sou uma pessoa mais madura, estou mais velho e, agora, com objetivos mais altos, que quero alcançar”, vincou.

E a ambição é justificada pela capacidade de decidir o concurso no último salto, com um voo a 8,46 metros, mais 14 centímetros do que a sua anterior melhor marca, alcançada este ano e que ainda estava por homologar, que secundava os 8,22 obtidos pelo seu antecessor Carlos Calado, em 2002.

Uma marca que supera também, em 10 centímetros, o recorde nacional ao ar livre de Calado, estabelecida ainda antes de Baldé nascer, em 20 de junho de 1997.

Depois dos 8,17 a abrir a final, Baldé prosseguiu com um 8,07, entre dois nulos, fechando, já com a necessidade de arriscar, para, pelo menos, chegar ao pódio, com 8,19 e, sobretudo, com a melhor marca do ano (8,46).

Portugal conquistou de forma inédita três medalhas numa edição dos Mundiais indoor, duas de ouro, também de forma inédita, ambas no comprimento, por Baldé e Agate Sousa, e a prata de Isaac Nader, nos 1.500 metros.

O quarto lugar no medalheiro de Torun 2026, atrás de Estados Unidos (oito ouros, sete pratas e seis bronzes), Reino Unido (quatro ouros) e Itália (três ouros e duas pratas), aumenta o histórico nacional aumenta para 20 metais, sete dos quais de ouro.