Mundiais de Atletismo: Isaac Nader, Agate Sousa e Gerson Baldé apontam às medalhas

Gerson Baldé é um dos convocados de Portugal
Gerson Baldé é um dos convocados de PortugalJORIS VERWIJST / ORANGE PICTURES / DPPI VIA AFP

Isaac Nader, Agate Sousa e Gerson Baldé, com boas perspetivas de conquista de medalhas, são o destaque da maior seleção portuguesa para Mundiais em pista curta, divulgada esta quinta-feira que leva 19 atletas para competir em Torun 2026.

O total de atletas para a 21.ª edição de Campeonatos do Mundo indoor, a disputar na Polónia, entre 20 e 22 de março, supera em dois o número de atletas portugueses que estiveram nas edições de Lisboa2001 - prova em que Portugal, como país organizador, foi convidado a inscrever um atleta por prova, mesmo sem cumprir os mínimos de participação - e Glasgow 2024.

Agora, o quadro é bem diferente, para melhor, com todos os lusos a qualificarem-se por estarem entre os melhores do ano - Nader, Agate e Baldé chegam mesmo com marcas que os colocam no top 3, à entrada da competição.

Ainda assim, a seleção portuguesa não vai na máxima força, notando-se desde logo a ausência do triplista Pedro Pablo Pichardo, atual campeão do mundo ao ar livre.

Mas também a do outro triplista, Tiago Luís Pereira, medalhado há dois anos, e Patrícia Silva, bronze nos 800 metros no ano passado. Ambos fizeram provas este inverno, mas não estão nas condições ideais para competir a alto nível.

Em termos de atletas com marca para Torun 2026, verifica-se ainda, além da baixa de Patrícia Silva, que também não viajam a velocista Lorene Bazolo e o fundista José Carlos Pinto, que se tem dedicado mais à estrada e ao corta-mato.

Caso especial é o da lançadora do peso Eliana Bandeira, que, a exemplo do ano passado, volta a estar tapada na seleção por Auriol Dongmo, a última campeã do mundo portuguesa sob telha, em 2022, e Jessica Inchude.

Sem Bazolo na comitiva, Nader e Inchude são agora os veteranos da seleção, com a quarta participação consecutiva. Dongmo vai para a sua terceira, tendo falhado Glasgow 2024 por lesão grave, enquanto Salomé Afonso, a recente recordista europeia de 2.000 metros, também vai para a terceira.

A nível de estreias, o nome mais sonante é o de Agate Sousa, a líder do ranking anual do salto em comprimento, após saltar quase sete metros no meeting de Madrid.

Na velocidade, há uma pequena revolução, com a chegada de Sofia Lavreshina, que vem de bater o recorde nacional dos 400 metros por três vezes, de Tatjana Pinto, de origem alemã e naturalizada no ano passado (filha de pais nascidos em Angola e Portugal), com boas marcas nos 60 metros, e de Beatriz Castelhano, recordista lusa sub-23 dos 60 metros.

Na estafeta 4x400 estará Pedro Afonso, o muito promissor recordista nacional sub-20 dos 400 metros, que já esteve nos Mundiais ao ar livre Tóquio 2025.

O foco global volta a estar no magnífico Isaac Nader, o campeão do mundo absoluto de 1.500 metros, que esta época já soma recordes lusos em 800, 1.500 e 3.000.

Nos 1.500, ainda a sua distância preferida, alia a capacidade para andamentos rápidos com uma ponta final fortíssima e temida por todos os adversários, que levou mesmo o francês Azedinne Habz e o britânico Josh Kerr a refugiarem-se nos 3.000.

Nader chega como segundo mundial do ano, só superado pelo norte-americano Cole Hocker, campeão olímpico em 2024, em ano em que o campeoníssimo norueguês Jakob Ingebrigtsen está ausente, a recuperar de cirurgia.

Além de Isaac Nader e Agate Sousa, o terceiro lugar de top 3 mundial de lusos é do experiente Gerson Baldé, a viver o melhor momento de sempre, no salto em comprimento. É terceiro esta época, atrás do excecional sub-23 búlgaro Bozhidar Saraboyukov e do multimedalhado italiano Mattia Furlani, campeão do mundo em título em pista coberta e ao ar livre.

Já medalhadas em Mundiais e Europeus, Auriol Dongmo e Salomé Afonso apontam a lugares no top 10, tal como Jessica Inchude, quarta nos Europeus Istambul 2023 e quinta em Apeldoorn 2025.

As lançadoras, Dongmo e Inchude, ambas em crescendo de forma, são nona e 11.ª, respetivamente, enquanto a fundista é 10.ª entre as inscritas para os 1.500 metros.

Os outros atletas têm ambições mais limitadas, incluindo as estafetas, que no entanto terão na Polónia ocasião soberana para chegar a recordes nacionais.