Mundiais de Atletismo: Três medalhas fazem de Torun-2026 a melhor edição para Portugal

Agate Sousa festeja por Portugal
Agate Sousa festeja por PortugalReuters

Portugal conquistou pela primeira vez três medalhas numa edição de Campeonatos do Mundo de atletismo em pista curta, disputados entre sexta-feira e domingo, em Torun, na Polónia, onde empreendeu a melhor pontuação de sempre.

O domínio no salto em comprimento, com os triunfos de Agate Sousa e Gerson Baldé, deu umas inéditas duas medalhas de ouro numa só edição dos Mundiais, com a prata de Isaac Nader, nos 1.500 metros, a bater também o recorde total de metais.

Os melhores registos nacionais resumiam-se a um título de campeão e a outra medalha, feitos conseguidos em Lisboa2001, Budapeste2004, Valência-2008 e Belgrado-2022.

Mas a mais numerosa delegação de sempre, com 19 atletas – mais dois do que em Glasgow-2024 e em Lisboa-2001 – , iguala o número de seis finalistas (lugares entre os oito primeiros) alcançado em Nanjing-2025, mas destaca-se como a melhor de sempre em pontos.

As posições de finalista correspondem classificações até ao oitavo lugar e a contabilização dos pontos atribui oito ao campeão, sete ao segundo classificado e assim sucessivamente até o oitavo receber um ponto.

Agate Sousa e Gerson Baldé somaram o máximo, Isaac Nader amealhou sete pontos, com as estafetas 4x400 metros a colaborarem, com três e dois pontos, e Auriol Dongmo, um, com o oitavo lugar no lançamento do peso, totalizando 30, mais oito do que o anterior máximo, em Lisboa2001.

Estes resultados representam, em primeiro lugar, o trabalho dos atletas, dos seus treinadores e de todos os intervenientes que colaboraram para este grande sucesso, aos quais quero dar os meus sinceros parabéns”, começou por dizer à agência Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

Domingos Castro, que chefiou a delegação lusa na Polónia, elogiou “o excelente ambiente”, salientando que “os resultados estão à vista”, com os 30 pontos a comparar com os 17 das últimas duas edições ou os 18 de Belgrado-2022, então com o mais recente ouro, por Dongmo, sem que se confesse surpreendido.

Eu estava à espera, porque, como tenho dito repetidamente, Portugal tem dos melhores atletas do mundo e quando temos dos melhores atletas do mundo, temos candidatos a medalhas. Para mim, não é surpresa e até digo que esperava que tivéssemos mais uma medalha, porque estava muito convicto que a Salomé Afonso também a conquistaria”, revelou o dirigente.

O presidente da FPA escusou-se a destacar o setor dos saltos, pela inédita dupla conquista de ouros no comprimento, para assegurar “um bom trabalho, em todos os setores, em todas as disciplinas”, apesar da falta de condições de treino em pista coberta.

Eu tenho falado muito sobre isso. Infelizmente, não sei como é possível um país, com os atletas que tem, não ter uma pista coberta para os atletas treinarem. Se não fossem Braga e Pombal nem para as competições teríamos pista no inverno. Chegou o momento de termos uma arena em condições”, reiterou.

Portugal encerrou Torun-2026 no quarto lugar do medalheiro, atrás de Estados Unidos (18 medalhas, cinco de ouro, sete de prata e seis bronzes), Reino Unido (quatro ouros) e Itália (três ouros e duas pratas), aumentando o histórico nacional para 20 metais, sete dos quais de ouro.

Na classificação por pontos, também dominada pelos Estados Unidos, com 164, mais 106 do que a anfitriã Polónia, segunda classificada (com um ouro, uma prata e dois bronzes), Portugal terminou no 11.º lugar, com 30.

Destaque ainda para os cinco recordes nacionais alcançados na 21.ª edição dos Mundiais 'indoor', na Polónia.

Gerson Baldé no comprimento, com os 8,46 metros do melhor salto do ano, Sofia Lavreshina, que melhorou pela quarta vez esta temporada o dos 400 metros (51,87 segundos), e das estafetas 4x400 (03.04,75 na masculina e 03.31,37 na feminina), além do registo igualado nos 60 metros por Tatjana Pinto (7,17 tal como Lorene Bazolo em duas ocasiões e Arialis Martínez uma).