Síntese dos Mundiais de Atletismo: Duplantis segura a coroa no dia de Ehammer e dos anfitriões

Duplantis sagrou-se tetracampeão do mundo
Duplantis sagrou-se tetracampeão do mundoREUTERS/Aleksandra Szmigiel

O sueco Armand Duplantis prolongou este sábado o seu reinado no salto com vara, ao sagrar-se tetracampeão do mundo em pista coberta, em Torun 2026, sem ofuscar o brilho do heptatleta suíço Simon Ehammer e dos dois medalhados polacos.

Jakub Szymanski levou a Arena Torun ao rubro ao vencer a final dos 60 metros barreiras, em 7,40 segundos, menos dois centésimos do que o espanhol Enrique Llopis e menos três do que o norte-americano Trey Cunningham, segundo e terceiro classificados, respetivamente.

Este triunfo foi o momento de glória dos anfitriões, que antes tinham conquistado a medalha de prata nos 400 metros femininos, por Natalia Bukowiecka (50,83), numa final disputada em duas séries, com a polaca a impor-se, na reta da meta, na primeira, à favorita neerlandesa Lieke Klaver (51,02), que se teve de contentar com a medalha de bronze.

O título de campeã dos 400 metros saiu da corrida seguinte, com os 50,76 segundos da jovem checa Lurdes Glória Manuel, de 20 anos, filha de pai angolano e mãe russa.

O destaque da segunda jornada dos Mundiais indoor foi conquistado pelo suíço Simon Ehammer, vencedor do título do heptatlo com um novo recorde do mundo de 6.670 pontos, mais 25 do que o anterior máximo mundial que pertencia ao histórico norte-americano Ashton Eaton (6.645), campeão olímpico do decatlo em Londres 2012 e no Rio 2016.

O suíço, de 26 anos, reconquistou o título que tinha vencido em Glasgow 2024, depois da prata em Belgrado 2022, ficando a um de Eaton, tricampeão em 2012, 2014 e 2016.

No salto com vara, Duplantis fez um concurso limpo até aos 6,25 que lhe deram o quarto ouro seguido em pista coberta e o recorde dos Mundiais, deixando o grego Manolo Karalis, o seu eterno vice, no segundo lugar, com 6,05, longe dos 6,17 do seu recorde pessoal conseguido recentemente. Em terceiro ficou o australiano Kurtis Marschall, que, com 6,00, fez deste o primeiro concurso sob telha com três varistas acima desta fasquia.

A segunda jornada dos Mundiais foi encerrada com a final feminina dos 60 metros, consagrando a italiana Zaynab Dosso como a mulher mais rápida em Torun 2026, ao cumprir a distância em 7,00 segundos, impondo-se à norte-americana Jacious Sears e à campeã olímpica dos 100 metros Julien Alfred, de Santa Lúcia, ambas três centésimos mais lentas.

A Itália também já tinha vencido nos 3.000 metros, por Nadia Battocletti, que se impôs com o tempo de 08.57,64 minutos, deixando em aberto a disputa pelo segundo lugar, pelo qual levou a melhor a norte-americana Emily Mackay, que, em cima da linha de meta, ultrapassou a australiana Jessica Hull, vice-campeã olímpica dos 1.500 metros em Paris-2024, que repete o bronze da última edição.

Destaque ainda para a recuperação da etíope Freweyni Hailu, campeã em título na distância e medalha de ouro nos 1.500 em Glasgow 2024, até ao sexto lugar final, após ter sofrido uma queda, numa fase inicial da corrida.

Nos 3.000 masculinos, o britânico Josh Kerr saltou para a liderança na última volta, para, em 07.35,56 minutos, reconquistar o título conseguido há dois anos, em Glasgow, e vingar a derrota nos 1.500 metros dos Jogos Olímpicos Paris-2024.

Kerr evoluiu da prata para o ouro, por troca com o norte-americano Cole Hocker, campeão olímpico dos 1.500, medalha de prata, que segurou o segundo lugar na final com o tempo de 07.35,70, apenas menos um centésimo do que o francês Yann Schrub, terceiro classificado.

No triplo salto, a cubana Leyanis Pérez Hernández levou o ouro, com os 14,95 metros da sua segunda tentativa, deixando a venezuelana e recordista mundial Yulimar Rojas a nove centímetros, no segundo lugar.

Oleh Doroshchuk confirmou o domínio ucraniano no salto em altura, ao conquistar a medalha de ouro, um dia depois de a sua compatriota Yaroslava Mahuchikh ter reconquistado o cetro na disciplina.

O percurso imaculado até aos 2,30 metros deu o triunfo a Doroshchuk, secundado por Erick Portillo, que, com a mesma marca, mas um nulo a 2,26, conquistou a primeira prata de sempre para o México em Mundiais indoor, enquanto o jamaicano repete o bronze de Nanjing 2025, agora dividindo-o com o sul-coreano e campeão em título Sanghyeok Woo, ambos com 2,26.

Depois de ter conseguido o melhor tempo das semifinais, o canadiano Christopher Morales Williams venceu a final dos 400 metros, agora dividida em duas, com quatro atletas cada, para um resultado comum.

Tal como na fase anterior, o jovem, de 21 anos, surpreendeu a concorrência na reta da meta, para fixar o recorde do Mundiais em pista coberta em 44,76 segundos, relegando o norte-americano Khaleb McRae, líder mundial do ano, para o segundo lugar (45,03), enquanto Jereem Richards, de Trindade e Tobago, ficou com o bronze (45,39).

Ainda durante a manhã, a Bélgica tornou-se na primeira campeã do mundo na estafeta mista 4x400 metros em pista curta, ao dominar a corrida com o tempo de 03.15,80 minutos – a melhor marca de sempre, mas não considerada recorde do mundo -, menos um segundo do que a Espanha, segunda classificada (03.16,96).

Terceira na pista, a Jamaica foi desclassificada, por trocar de posição na passagem de testemunho, em benefício da seleção da casa, que conseguiu a primeira medalha dos campeonatos, numa estafeta caótica, como é tradição, em que, entre outros incidentes, a norte-americana Sara Reifenrath cumpriu as suas duas voltas apenas com uma sapatilha – sem evitar o quinto lugar dos Estados Unidos.

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